"Natal é a revanche da humildade sobre a arrogância"
(Papa Francisco)

Economiaenegocios Artigos 28 Dezembro / 2018 Sexta-feira por Padre Ari

A celebração do Natal no contexto da cultura contemporânea é um desafio a todos os cristãos e todos os homens e mulheres de boa vontade que anseiam por uma vida de paz, sentido e plenificação de vida. Os homens e mulheres de nosso tempo estão envolvidos num ativismo histórico que preocupa o próprio humano e, daí, um número significativo de pessoas sente que é momento para debruçar-se sobre si mesmo, olhar para o outro e abrir-se à Transcendência.
Em contrapartida, e, por outro lado, é perceptível a necessidade de levantar a bandeira da paz e do sentido a fim de construir um mundo novo onde reina o “amor” entre as pessoas sem uniformidade, mas sempre na diversidade das culturas. No entanto, vive-se uma realidade que nos envolve sempre mais num imaginário economicista, pragmático e utilitário.
Na atualidade de nosso tempo, a celebração do Mistério da Encarnação vive cercada por um ambiente onde permeia inúmeras ideologias transversais e exóticas que atravessam a vida do tecido social local e mundial. Muitas das mesmas são de tonalidades complexas, confusas e contraditórias entre si mesmas.

Se por um lado, o verdadeiro Natal significa a festa da pobreza de Deus que se despojou a si mesmo tornando-se sua natureza escrava, por outro, os sinais e símbolos que exteriormente são vistos na sociedade há um contrassenso, afinal o que se vê é o enaltecimento da economia, embora essa possa fazer parte do contexto, mas, que por outro ângulo, tende a esvaziar o sentido profundo do Mistério da Encarnação se não houver uma sintonia com o sagrado.

Ao longo do tempo diversas festas, aliás, fundamentais para a fé cristã, paulatinamente foram sendo transmutadas para uma visão menos teológica e da experiência de Deus. Essa transmutação aponta para um sentido contrário ao espírito cristão, ou seja, pois é revelado um sabor de um neopaganismo, aliás, que tem desfigurado o sentido profundo das mesmas para a vivência da autêntica espiritualidade cristã. Entre as muitas festas destaca-se: Natal, Páscoa, Pentecostes, Epifania e outras.

Deus quis entrar na história humana de maneira simples e humilde “...tornando-se um de nós, exceto no pecado”. No entanto o desenvolvimento e a tecnologia inverteram na Conjuntura Política Socioeconômica, quando essa fragmentou o todo da existência humana. Em outras palavras: O progresso e o desenvolvimento fragmentou a fé como se os mesmos não pudessem crescer em harmonia com a espiritualidade do Mistério Salvífico.
O desafio hoje dos cristãos e da Igreja toda é saber e ter consciência de que é possível adicionar os valores da cultura pós-moderna com suas características próprias. Isso é possível, sim! Assim como os primeiros cristãos o fizeram na cultura do seu tempo, foram capazes de elaborar um processo de enculturação do Mistério cristão, mas, ao mesmo tempo mantiveram sempre a essência desse Mistério.
Essa é a forma de evangelizar nos tempos pós-modernos, o que na prática significa assimilar os valores positivos da cultura contemporânea e trazer para dentro da espiritualidade cristã, pois tal cultura também é detentora de muitos valores que podem ser importantes para evangelizar esses novos tempos.

Portanto, é sempre bom frisar que o Natal é uma festa de fundamental importância para a humanidade, pois Deus se faz gente para resgatar o homem e a mulher do estado de pecado e acolhê-los novamente junto ao Criador, aliás, que teve e tem paixão pelo ser humano criado “...à sua imagem e semelhança” (Gn. 1,27).
Natal jamais pode se resumir a uma festa do consumismo, mas sim, que seja a festa da alegria, do acolhimento do Senhor no presépio e no coração das pessoas. Afinal o Natal sempre é tempo de partilhar e alegrar-se. Em contrapartida esta alegria não deve se reduzir a comidas e ceias, pois não é o mais importante, embora possa fazer parte da celebração do Mistério cristão. No entanto, é bom ter consciência do sofrimento de muitos irmãos nossos que ainda não estão incluídos na sociedade, como os pobres, os refugiados sem teto e sem pátria, os idosos, as minorias étnicas, os negros, os ciganos e tantos outros que são excluídos. O Natal deve nos fazer pensar em toda essa realidade que necessita de solução, pois todo ser humano é digno de respeito como retrata o “rosto sofrido de Jesus nos irmãos”.
Portanto, os cristãos precisam agir para superar estas diferenças que envergonham a humanidade. Essa é a razão do porque Deus quis inserir-se na história humana para nos dizer que necessitamos de mais humildade, igualdade social, e, assim, todos vivermos em família esse espírito de unidade, embora na diversidade, mas que enriquece a humanidade toda.

Desejo a todos os leitores dos meus artigos semanais:
Que Deus seja para todos os amigos uma resposta do sentido de nossa existência, progresso e desenvolvimento sim, embora sempre com espírito de solidariedade, justiça, inclusão e sustentabilidade.

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo 2019.

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