| | Turismo consciente envolve mudança profunda na conduta do viajante |
De todos os meios de transporte, o avião é o mais poluente. Porém, é difícil montar um roteiro de viagem sem passar pelo aeroporto – a não ser que o turista, além de ecologicamente correto, seja extremamente paciente. O viajante inglês Edward Gillespie, 35 anos, que já passou pelos cinco continentes, escreve em seu blog como fez para atravessar o mundo a bordo de navios, trens, metrôs e ônibus, depois que prometeu a si mesmo jamais entrar de novo em um avião.
Compensação
Empresas aéreas, pressionadas por viajantes como Gillespie, disponibilizam em seus sites cálculos de emissão de gases poluentes na atmosfera e muitas estabelecem parcerias com ONGs ambientalistas e projetos de pesquisa na área ecológica, enquanto outras deixam a critério do turista arcar com as conseqüências de sua viagem. A Lufthansa, por exemplo, propõe que o turista doe o valor correspondente à neutralização das emissões de gás de sua viagem para estudos climáticos em países como a Índia.
Quanto custa
Na prática, uma viagem de ida e volta entre São Paulo e Frankfurt, na classe econômica (19.646 km), emite 1.986 kg de gás carbônico. Pelos cálculos do site da Lufthansa, o viajante que quiser aliviar a consciência deve pagar 40 euros pelo estrago. Se voou de primeira classe, o desembolso deve ser de 95 euros, já que o número reduzido de acentos e o gasto maior de energia deixam a viagem mais poluente.
Investimento
A companhia aérea alemã estuda medidas simples para diminuir o gasto com combustível e, conseqüentemente, reduzir a poluição. Atualizar o desenho da asa, por exemplo, representaria economia de combustível entre 5% e 15%. Outros 3% de economia poderiam vir do uso de material mais leve na aeronave. A Lufthansa, que tem um departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade, está investindo 14 bilhões de euros na modernização de 170 aviões.
Mais consciente
Para não ser tão radical quanto Gillespie e simplesmente abolir a aviação de seu roteiro, é possível tomar medidas mais simples:
- Vôos sem escalas e sem classe executiva são menos poluentes. Estudos da Tufts University, de Estocolmo, indicam que aviões com classes diferenciadas produzem 1,5 vez mais gás carbônico e trechos sem paradas produzem duas vezes menos CO2 por milha.
- Vôos diurnos também são menos poluentes. Pesquisadores da Universidade de Leeds e Reading, na Inglaterra, constataram que 60% dos danos climáticos causados pelos aviões são provocados à noite.
- Não usar o banheiro do avião (em trechos curtos, claro). De acordo com um estudo da China Southern Airlines, dar descarga em um avião que esteja a 9.144m do solo consome combustível suficiente para um automóvel rodar por quase 10km.
- Utilizar produtos de higiene biodegradáveis em acampamentos e cruzeiros marítimos é uma opção para diminuir a contaminação de mares e rios.
- Nos cruzeiros, os barcos menores, que levam no máximo 100 pessoas a bordo, poluem menos.
- No aluguel de veículos, considerar a opção por carros menores, híbridos ou movidos a biodiesel já ajuda.
- Ao fazer as malas, reduzir a quantidade de embalagens descartáveis (se possível, nem levar!). Se o seu destino não tem coleta seletiva e serviço de reciclagem, convém evitar o descarte de produtos que poderiam ser reaproveitados (nem que seja necessário colocar uma sacolinha de lixo na mala e descartá-lo na volta).
Empresas “verdes”
Algumas medidas internas tornam determinadas empresas mais ecologicamente atrativas para o turismo. Com a Avaliação Verde, a GramadoSite.com mostra a quantidade de estrelas “verdes” obtidas pelos empresários que responderam ao nosso questionário de condutas ambientais. Você pode conferir a “nota verde” de cada uma na relação de empresas cadastradas em nosso site. Confira alguns exemplos “cinco estrelas”:
Com informações da Agência Estado |  | |