| Sergio Avila e Daniela Arruda participaram do debate |
Com a exibição do vídeo “405 The Movie”, feito para circular na Internet, Arthur Silveira, da
High Company, abriu o Cinema na Rede, na tarde de terça-feira, 14, durante o 15º Gramado Cine Vídeo. Sergio Avila, gerente de parcerias do
Google Brasil; Daniela Arruda, editora do
Porta Curtas e José Carlos Avellar, crítico de cinema e curador técnico do 35º Festival de Cinema de Gramado foram os debatedores.
Três visões
O representante do
Google definiu o
Youtube como um site de compartilhamento de vídeos sem preocupação com a qualidade. “Qualquer um pode fazer e postar. O site está sempre atualizado, pois é o próprio usuário que atualiza, não há uma seleção. A comunidade tem todo o controle”, disse. É o oposto do Porta Curtas, que, segundo Daniela, conta com uma curadoria. “Queremos dar espaço ao trabalho profissional, facilitando a busca e catalogação dos curtas”, informou. Avellar destacou a diferenciação e defendeu que um dos pontos importantes do cinema na web, em ambos os casos, é o esforço para diminuir a distância entre quem vê e quem produz filmes. “Os dois exemplos mostram como pensar a Internet como aliada na difusão do cinema. Todos os caminhos são possíveis”, avaliou.
Da telona para o monitor
O curador do Festival defendeu que não se trata de trazer o cinema como o vemos nas salas de projeção para a tela do computador. “A tendência é desenvolver convenções de narração diferentes, filmes especialmente feitos para a Internet, como o próprio 405”, exemplificou Avellar. “Não é uma questão de escolha entre o cinema convencional e a Internet, a questão é disponibilizar ao espectador filmes que não chegam às salas, como os curtas, que em geral só são exibidos em festivais”, disse Daniela.
Espectador mais crítico
Avellar também considerou que a aproximação do produtor com o espectador, visto que ele mesmo pode produzir à sua maneira, introduz também uma nova forma de ver cinema. “Não está em jogo se o independente faz melhor ou pior do que um realizador, mas a partir dessa experiência aumenta a exigência e o prazer de ver um filme”, definiu. “Essa acessibilidade educa o olhar, forma uma platéia mais crítica”, complementou Daniela. “Muda o modo de ver, daí a política de não selecionar no
Youtube, abre-se o espaço para tudo e a própria comunidade marginaliza o que é ruim”, disse Sergio Avila.
Debate continua na rede
Os debatedores consideraram muito positivo levantar esse tema, até pela diferenciação do propósito do
Youtube, que embora abra espaço para produções independentes não tem o intuito de concorrer com os profissionais. Já o Porta Curtas preocupa-se com a disponibilização de trabalhos de qualidade. Avellar disse que a discurssão é ampla e não descarta a possibilidade de que algum curta lançado na Internet possa vir a integrar a programação de algum festival no futuro. O debate continua em aberto na rede. Comente aqui, na
GramadoSite.com.
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