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Guia de Gramado RS - Serra Gaúcha - Brasil

Gramado RS - Serra Gaúcha

/ Esportes
Gustavo De Marchi
Texto publicado em 01/04/2011* - 00:00, sexta-feira.por Gustavo De Marchi
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 13 meses!
Falta rango, falta tempo, está muito frio, o que passa?
Em minhas notas rápidas sobre a biologia do Black Bass, ou Truta Verde, como é conhecido na Serra Gaúcha, chego sempre a uma questão que me parece a grande muralha para todo pescador esportivo deste “game fish”: afinal, por que, por estas bandas, este peixe é menor que nos EUA, no Japão, na Itália, na Espanha e outros tantos lugares?

Falta rango - falta tempo - está muito frio - o que passa?
Isolei alguns fatores que, em minha opinião, contribuiriam de alguma forma, com o esclarecimento deste mistério das águas gaúchas. Já fazem mais de 50 anos que o Black Bass foi introduzido e pulverizado pelo governo estadual por uma imensa área amostral, com exemplares mais ou menos antigos, maiores ou menores e com diferentes espécies forrageiras associadas. Um grande laboratório é o que temos. O nome comum da espécie de Black Bass que aqui foi introduzida é, na origem, Largemouth Bass, ou “Bass da Boca Grande”. Ora, se tem uma boca grande, deve comer coisas grandes, parece óbvia a mais simples das observações, mas, que revela algo sobre o comportamento alimentar do peixe e encerra uma das respostas, acredito, sobre o porquê não termos monstros, ainda. É importante notar que há uma subespécie, comumente chamada de Floridanus, que fica muito maior e não encontramos por aqui, e para fins de observação e especulação, não é considerada para evitar erros de interpretação.

Nos ecossistemas originais norteamericanos, o Black Bass, enquanto juvenil, consome avidamente alevinos de peixes, pequenos camarões e outros crustáceos diminutos e insetos. Quando vai se tornando adulto, durante seu desenvolvimento, aumenta consideravelmente de tamanho e suas presas também passam a ser maiores, come, nesta fase, pequenos peixes como o Bluegill, que parece estar sempre associado ao Black Bass em seu ambiente original e lembra muito um cará (nota: onde há carás, os Basses atingem mais rapidamente a fase adulta, maiores e mais saudáveis; mas, ainda não é o bastante para a criação de monstros), porém, entra no cardápio, deste requintado comensal, gastrópodes, lagostins, camarões, sapos, cobras, salamandras, morcegos, pequenas aves, pequenos mamíferos, como ratos, e filhotinhos de crocodilos. Em grandes reservatórios os adultos ocupam águas profundas e sua dieta passa a ser, quase exclusivamente, composta por peixes menores que ele. Suas presas podem ter entre 25% a 35% do comprimento de seu corpo. O que justifica a boca grande e abre portas ao canibalismo, muito comum na espécie. Até porque é mais fácil encarar um adversário menor, com mesma característica de nado e velocidade de deslocamento, do que tentar pegar um lambari pequeníssimo e ligeiro como um raio, com a boca. Quotidianamente: o Bass é o lobo do Bass, ele termina a reprodução e imediatamente começa a caçar os juvenis em busca de comida farta e fácil, por falta de opção. Mas, isto merece um capítulo à parte.
“Estudos de predação, em águas rasas, revelam que o crescimento é mais lento devido à dificuldade na aquisição de presas, situação muito comum nos açudes e pequenas barragens. Quanto menor for a cobertura vegetal, mais facilmente o Bass encontra e captura sua presa, que consiste, neste caso, em pequenos peixes de águas abertas. Paradoxalmente, quanto menor a cobertura de vegetação, maior o risco do Bass dizimar a população de presas e morrer de fome, ou ficar atrofiado”. Quando li este pedaço de um artigo norteamericano, eu vi a luz! Águas rasas, pouco vegetadas e lambaris, que são peixes de águas abertas constituem uma realidade na Serra Gaúcha. Nossos peixes estão desnutridos, atrofiados e morrendo de fome, parcialmente, resolvi um dos fatores: o que falta é rango! Este é o fator número um que eu observava há anos.

Falta tempo. O Bass não tem tempo para crescer antes de morrer: por causas naturais ou pela mão do homem. Ser comido é uma causa natural, por canibalismo, ou predação de outras espécies. A mão do homem é a pesca predatória. Sabe-se que a vida média de um Black Bass na natureza, nos EUA, em seu ambiente de origem, safando-se da morte, é de 15 anos em média, sendo que há registros de exemplares que passaram dos 23 anos. Por uma questão cultural e histórica, inclusive, o Brasil colonizou-se pelo extrativismo, legando o costume de não pensar nas gerações futuras, com isso, o pesque-e-solte é uma novidade e um peixe, com um crescimento lento, como o Black Bass, depende deste hábito para um franco desenvolvimento. Só tempo permite atingir seu tamanho máximo. O tempo de vida é diretamente proporcional ao tamanho do peixe. Como não podemos controlar a morte natural, devemos ter controle sobre a pesca predatória, permitindo mais tempo de vida e crescimento ao peixe, através do pesque-e-solte obrigatório.

Continua semana que vem.
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