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Gramado - Serra Gaúcha

Texto publicado em 25/01/2010* - 10:49, segunda-feira.por Redação GramadoSite
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 2 anos!
A Cultura do Figo
De origem asiática, a figueira é uma planta que apresenta uma excelente adaptação a diferentes climas, porém, não requer geadas tardias. Prefere regiões de clima temperado, isto é, aqueles em que o inverno seja suficientemente frio. Além do frio necessário ao repouso das plantas, é importante na estação de crescimento, calor e luz em abundância, para que seus frutos possam se desenvolver e amadurecer normalmente.

A Cultura do Figo
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Segundo Pio Corrêa, a cultura se adapta “às condições de existência das mais diversas e até as mais opostas” e que, por esse motivo, pode ser encontrada “desde a beira mar, nas dunas ardentes da Líbia, até as planícies dos Andes, a mais de 3 mil metros de altitude”.

Trata-se de plantas caducas (perdem suas folhas no período de inverno) bastante ramificada com até 10 metros de altura e raramente ultrapassam 3 metros, principalmente quando sofrerem sucessivas podas drásticas. Em geral, a vida útil produtiva está em torno de 30 anos, variando conforme o manejo dado pelo agricultor.

Presume-se que as primeiras figueiras, com toda a sua história e seus mistérios, tenham chegado às terras brasileiras já no século XVI. Figueiras de todos os tipos, muitas delas improdutivas ou geradoras de frutos não comestíveis espalharam-se por todo o Continente.

O cultivo iniciou entre os anos 10 a 20 do século passado na região de Poços de Caldas em Minas Gerais, com o propósito de consumi-la in natura e indústria caseira de doces e compotas.

No Brasil, a cultura se adaptou muito bem e está sendo cultivada com sucesso em São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. O Brasil se destaca na América do Sul na produção de figos.

A cultura possibilita ao agricultor cultivá-la em pequenas áreas, sendo uma excelente opção na diversificação de atividades da agricultura familiar.
Adapta-se a qualquer tipo de solo, preferindo os profundos e permeáveis. A multiplicação é feita por estacas. Responde bem a adubações e a podas de frutificação.

Os frutos, que possuem uma estrutura carnosa e suculenta de formato periforme, comestível de coloração branco-amarelada, até roxa, conhecido como “figo”, encerra em seu interior os inúmeros frutos desta espécie, que são freqüentemente confundidos com as sementes. São muito delicados, requerem cuidados na colheita, acondicionamento e transporte, em especial, para a comercialização e consumo in natura.

O município de Nova Petrópolis é tradicional produtor de figos. As Comunidades de Linha Brasil e Linha Araripe destacam-se neste cultivo. De forma alternada, as Comunidades de Linha Brasil e Linha Araripe realizam anualmente a Festa do Figo.
Em face das dificuldades em que passam as pequenas propriedades familiares, principalmente em mão-de-obra, o cultivo do figo é uma boa opção de agregar renda, em virtude a isto, a área de cultivo está aumentando, não esquecendo que o poder público subsidia 40% das mudas compradas. Atualmente o Município possui 67 produtores familiares que produzem esse fruto comercialmente em 42 hectares, obtendo a produção de 370 toneladas. Em torno de 90% dessa produção é comercializada através da Cooperativa Piá do Município para a industrialização. O restante da produção é comercializada na Ceasa, consumida in natura e indústria caseira de doces. No total mais 300 produtores possuem alguma árvore.

Em nível mundial existe grande confusão quanto a correta nomenclatura e identidade das variedades de figueiras. Os agricultores cultivam basicamente as variedades pingo de mel, negrito e roxo de valinhos em Nova Petrópolis.

A variedade pingo de mel apresenta uma coloração amarela, fruto pequeno, rusticidade e alta produtividade. Já a variedade negrito possui formato alongado, coloração roxa, rusticidade e alta produtividade, sendo a mais cultivada no município e excelente para o consumo in natura. Por fim a variedade roxo de valinhos, apresenta fruto grande, coloração roxa, alta produtividade, requer poda anual, possui menos rusticidade e é mais procurada para a indústria.

O figo em Nova Petrópolis

A figueira não é planta nativa desta região. Chegou até aqui através dos imigrantes italianos que colonizaram a região de Caxias do Sul e Gramado, municípios vizinhos.
A fruta teve aceitação muito boa entre os imigrantes e descendentes alemães e até 1964 era cultivada para consumo doméstico. As primeiras famílias a cultivarem figo, que se tem notícia foram da família Kny.

A partir de 1965 passou a ser comercializada, sendo Arnildo Dinnebier, mais conhecido como "charuto", o comprador, que por sua vez vendia à Indústria Vontopel em Cachoeirinha, depois para a Ritter e mais tarde a Indústria Masotti em Gramado. O caminhão passava duas vezes por semana para recolher o figo, colocado em tonéis, embalagem não muito indicada, pois estragava a fruta com muita facilidade. Nesta época, Nova Petrópolis era o terceiro maior produtor de figo do Estado. O baixo preço recebido pelo produtor, foi o principal motivo do abandono da cultura em escala comercial. Continuou a ser cultivado para consumo próprio, pois o figo era considerado fruta tradicional.

No fim da década de 60 e início da década de 70, houve por todo o município um incentivo ao cultivo de maçãs e citrus, que por sua vez não atingiram às expectativas. Foram abandonadas poucos anos depois.

Em 1972 houve uma retomada no cultivo do figo. Neste sentido um grande incentivador foi o Pastor Paulo Evers; e surge nesta época o Programa PIAT - Plano Integrado de Apoio Técnico - que trouxe até Nova Petrópolis técnicos dos mais variados setores da agricultura, também dando apoio a fruticultura. Sendo a Indústria Masotti de Gramado e a Ritter as compradoras da produção para fabricação de doces.

A Cooperativa Agropecuária Petrópolis passou a comprar do produtor o figo em 1982. Hoje compra todo o figo disponível produzido no município para industrialização, principalmente para a produção do doce de figo. Até o ano de 2000 incentivou no plantio de novos pomares ofertando mudas e acompanhamento técnico. Atualmente, como a capacidade de industrialização e principalmente colocação do produto no mercado está no limite, tem mantido o apoio técnico. Um dos maiores produtores de figo durante muitos anos foi Darcilo Thiele da Linha Gonçalves Dias.

Destaca-se o cultivo do figo no Brasil em Valinhos, no Estado de São Paulo, Pelotas (RS) e na Serra Gaúcha. O cultivo tem crescido nas regiões da Depressão Central, Campanha e Planalto do Estado recentemente.

Alguns dados sobre a História da Festa do Figo

(Informações retiradas do livro Ata da Sociedade Cultural Esportiva Linha Araripe)

Na ata da assembléia do dia 29 de novembro de 1970, aparece o primeiro registro sobre a Festa do Figo, definindo dia 31 de janeiro de 1971 como sendo a data da edição do evento. O Presidente da Sociedade na época era o Sr. Werno Grings, (já falecido) foi um dos autores da idéia. Ele junto com amigos e associados organizaram tudo. Foi uma verdadeira inovação para a época e a região. A região era grande produtora de figo já desde então. Aconteceria neste dia uma grande exposição de figos e outras frutas da época. Esta exposição na sede da Sociedade foi inspirada na Festa da Uva de Caxias do Sul, considerado na época o maior evento do Estado, trazendo público de todo o País. Muitos dos turistas que vinham para a Festa da Uva de carro aproveitavam e iam para Gramado e Canela ver a Cascata do Caracol atrativo turístico mais conhecido da região. Sendo assim a idéia era aproveitar a grande movimentação de veículos gerada pela Festa da Uva para também vender a produção local, especialmente o figo.

Na ata da Assembléia Geral do dia 2 de maio de 1971 um dos assuntos da pauta era a Festa do Figo. A 1ª exposição fora um sucesso total, com ótima repercussão por toda a região e decidiu-se que a mesma aconteceria todos os anos no último domingo de janeiro, época do auge da colheita do figo.

Na reunião do dia 25 de junho de 1971 uma importante decisão foi tomada. A localidade vizinha, Linha Brasil, também grande produtora de figo, se mostrou interessada em sediar a Festa e ficou estabelecido que: a 2ª Festa do Figo, a do ano de 1972, aconteceria na Linha Araripe, mas que no ano seguinte, a localidade da Linha Brasil seria a sede da mesma. Sendo a partir de então a festa um ano na localidade da Linha Araripe e no outro na localidade da Linha Brasil.

Em 6 de janeiro de 1974, data da Assembléia Geral, definiu-se que a 4ª edição da Festa do Figo, aconteceria no dia 17 de fevereiro, pois previa-se a maturação do figo para mais tarde. Era ano do cesquicentenário da imigração alemã no Brasil e a idéia aproveitar a festa para fazer uma grande homenagem. A Sociedade Cultural Esportiva Linha Araripe tinha um grupo de danças folclóricas, para o qual foi providenciado um traje típico alemão e no dia iriam fazer uma inédita apresentação. Definiu-se neste dia que o Sr. João Emílio Grings seria o festeiro.

Por vários anos a localidade da Linha Araripe não pôde sediar a festa, pois a mesma tomava uma dimensão maior a cada edição e a sede não comportava mais o evento, passando a acontecer sempre na Linha Brasil sob organização das duas sociedades, da Linha Araripe e Linha Brasil.

Durante as muitas reuniões que aconteceram durante o ano de 2001, o assunto principal era a conclusão das obras da nova sede e a posterior inauguração. Logo se cogitava em sediar a Festa do Figo em 2002, pois agora havia espaço, muita gente interessada em ajudar e muita vontade de trabalhar. E assim aconteceu.

Em 3 de fevereiro 2002, na Sociedade Cultural e Esportiva da Linha Araripe, sob a presidência do Sr. Adélcio Fatori, na sua 29ª edição é dia da Festa do Figo, uma festa histórica para a comunidade. Sucesso total. A realização da mesma na Linha Araripe atendeu o desejo dos seus moradores. Em torno de 5.000 pessoas se fizeram presentes.

Em uma reunião realizada entre as diretorias das Sociedades da Linha Araripe e Linha Brasil, em 26 de novembro de 2002, mais um capítulo da história da Festa do Figo se escreve. A partir de agora nos anos ímpares ela acontecerá na Linha Araripe nos anos pares na Linha Brasil.
O grande diferencial da Festa do Figo é a exposição de figos e de outros produtos de época. A escolha e premiação dos mais belos produtos são momentos de muita espera.

( com informações Assessoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Nova Petrópolis )
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