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Caminho para dar e receber Graças
A idéia era esta: cada família escolheria o santo de sua devoção, Margarida Weber pintaria a imagem e os moradores construiriam o capitel para receber o santo em frente à sua casa. Pouco mais de um ano depois, graça sobre graça se estende pela cidade de Canela e peregrinos.



Redação GramadoSite
por Redação GramadoSite
Texto publicado em 14/02/2008* - 11:22, quinta-feira.
*Atenção: você está lendo CONTEÚDO DE ARQUIVO. Publicado há mais de 9 meses!
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Caminho para dar e receber Graças
Clique na foto para ampliarMoradores da Estrada do Caracol decoraram capitéis com seu santo de devoção em frente às casas
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Estamos falando do Caminho das Graças. Da idéia apresentada a nove moradores por Margarida Weber, hoje secretária de Turismo de Canela, nasceu um caminho com 52 capelinhas para dar graças a Deus pelas belezas naturais que Ele concedeu àquela comunidade e para agraciar canelenses e visitantes que peregrinam com fé até o local. Na estrada que liga o parque do Caracol ao da Ferradura, dois cartões-postais da Região das Hortênsias, 7km estão ainda mais cheios de graça! Em entrevista à GramadoSite.com, Margarida Weber recordou alguns fatos que já marcaram a curta história do caminho inaugurado em novembro de 2006.

Coincidência ou providência?
Margarida conta que foi procurada por uma família de evangélicos que, apesar de não ter devoção aos santos, não queria ficar fora do projeto. “Ofereci a eles a imagem de Nossa Senhora da Divina Providência, que era para ser a minha santa”, lembra. No dia 8 de outubro, celebra-se a festa em honra à Virgem da Providência. Nessa data, faleceu uma pessoa da família. A mensagem que havia sido gravada na placa da santa era: “Nossa alegria é saber que sempre estarás conosco”. “Podem me dizer que é coincidência, mas eu acredito na providência. A memória da pessoa querida que faleceu estará sempre ligada à capela da qual a família toma conta. Eles precisavam dela mais do que eu”, comenta.

Escolhido pelo santo
Outro fato curioso aconteceu com o proprietário de um bar no parque da Ferradura. Ele tinha faltado às reuniões anteriores e foi no dia da entrega dos santos reivindicar algum. “Todos os moradores levaram o seu santo, mas o dono do São Jorge não apareceu”, conta a secretária de Turismo. Depois de longa espera pelo “dono” do São Jorge, Margarida desconfiou que ele não ia mais aparecer e resolveu dar a imagem para quem lhe havia pedido. “Quando disse a ele que lhe daria o São Jorge ele se pôs a chorar, pois naquele mesmo dia havia desenterrado uma imagem desse santo, sem a cabeça, enquanto capinava”, revela, complementando que até hoje quem inicialmente ficaria com o São Jorge não apareceu. “Todos escolheram um santo e São Jorge te escolheu”, foi o que disse Margarida àquele morador.

A guarda dos anjinhos!
O espírito contagiou até mesmo as crianças. “Uma menininha tinha uma casinha de bonecas e disse à mãe que também queria colocar uma capela no pátio de sua casa! Dei um anjinho da guarda para ela. Depois dela, todas as crianças da rua também quiseram um anjinho”, diz a motivadora da proposta. Ela encara esses acontecimentos como sinais de que esse projeto é realmente uma graça, pois está cumprindo com o objetivo para o qual foi pensado. “O Caminho das Graças é um ótimo sinal de religiosidade e acabou se tornando um lugar de visita e peregrinação”, descreve o pároco de Canela, padre Edson Batista de Mello.

A santa do padre
Aliás, nem mesmo ele passou por ali sem ser tocado. “Depois de ter passado por todo o caminho abençoando cada capitel, o padre foi até a minha loja. Eu havia deixado uma imagem de Santa Catarina sobre a mesa, pois o morador que faria a sua capela queria uma imagem menor. Quando viu a imagem, o padre disse: 'esta é minha santa!'. Dei a imagem de presente para ele”, revela. Padre Edson confirma a história. “Santa Catarina é minha santa padroeira”, diz.

No coração da comunidade
“Os primeiros milagres aconteceram na vida de cada morador, que agora tem orgulho do lugar onde vive e dá o seu melhor para bem acolher aos visitantes”, avalia Margarida. A capela do bairro, que tem Santa Cecília como padroeira, passou a ficar aberta para que os romeiros possam rezar. As missas acontecem na segunda sexta-feira de cada mês, às 19h30min, e são cada vez mais freqüentadas pelos fiéis. Até casamentos já foram celebrados na capelinha depois que o Caminho começou a vingar. No dia do seu santo, cada família reúne os vizinhos para recitar a novena em sua casa. “É um grande espaço de manifestação de fé, não só dos canelenses, mas também para o turista”, conlui o padre. Fica o convite para conhecer essa nova atração da Região das Hortênsias, feita não apenas para encher os olhos, e sim para elevar a alma.

   
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