Os descendentes Luso Açorianos na Festa da Colônia
O Arquipélago dos Açores é constituído de 9 ilhas dispersas em meio ao Oceano Atlântico: São Miguel e Santa Maria, que formam o grupo Oriental. Terceira, São Jorge, Pico, Faial e Graciosa, que formam o grupo Central. Flores e Corvo, que formam o grupo Ocidental. Se localizam entre a Europa e a América do Norte e albergam uma população residente de cerca de 237.000 habitantes, numa área de 940.000 Km2.
| por Redação GramadoSite |
A existência de um regime de ventos no Atlântico Norte que obrigava os navios à chamada “volta das ilhas”, cedo tornou importante o valor estratégico, militar e comercial, dos Açores e, sobretudo, de Angra, o seu principal porto.
Assim, os caminhos para sair da Europa, navegando à vela, são vários, mas para regressar só existe um... O que significa que, mais do que importante na ida, os portos açorianos eram importantes no regresso, quando os navios, carregados de tudo quanto existia em todo o ultramar, regressavam a Portugal.
Até hoje, no coração do oceano se encontra uma reserva de tradição, identidade e história, noções de tempo e espaço. Ainda hoje, homem e ambiente atuam juntos em favor do turismo de natureza preservada.
“Vem dos Açores a força vitalizadora do povoamento da terra. Agricultores, estendem pela terra as suas lavouras. Em breve, numa adaptação rápida ao meio, tornam-se criadores. De lá nos vem, com os usos e costumes antigos, certos modismos vocabulares que imprimem forte sabor ao nosso linguajar gaúcho. E nos vem a religiosidade profunda, cheia de encanto e de beleza, que ainda hoje transparece nas nossas festas de igreja, na devoção particular pelo Espírito Santo, os leilões de oferendas, o cordeirinho pascal, e em outras mil manifestações da nossa fé religiosa.
De lá nos vem a aparência do tipo primitivo, homens loiros e fortes, olhos claros, imaginação ardente e um certo fundo de misticismo e de idealismo que canta no nosso folclore, que vibra na nossa poesia popular, às vezes ardente e épica, lembrando as lutas contra os mares revoltos, ou suave e misteriosa, impregnada de saudade e de amor.
Nos vem os seus dotes incomparáveis de alma, de sentimento delicado e afetuoso, que constituem o fundamento da família riograndense; a sua nobreza original, a heróica dedicação da esposa, o amor incomparável dos filhos.
De Dutras, Terras, Silveiras, netos de velhos flamengos, vêm, às terras brasileiras, quase gerações inteiras. Loiros, fortes avoengos, cultivadores de eiras.
Sobre os velhos lavradores, nobres estirpes de ilhéus,
Como uma chuva de flores, a coroar seus labores,
Caem as bênçãos dos céus, e a terra é toda primores.”
(Aurélio Porto)
Gramado foi colonizada inicialmente por descendentes destes luso-açorianos, comprovadamente documentada em nossa história. Posteriormente, recebemos descendentes de imigrantes italianos, alemães e sírios-libaneses.
Mas até hoje, pouco ou nada foi enfocado sobre a imigração lusa inicial na nossa história e nunca houve um resgate verdadeiro dos detalhes culturais ainda existentes desta etnia entre nós.
Este é o melhor momento para registros, pesquisas, estudos e ações concretas desta amostragem. O melhor momento para romper com os preconceitos do passado e assumir que, hoje, Gramado possui quase 50 % de sobrenomes nacionais em sua população permanente. Sobrenomes estes, misturados às demais etnias. Temos sangue luso-açoriano em quase todas as famílias gramadenses hoje em dia...
O caminho açoriano em Gramado é um passado a ser revisitado. Basta olhar registros escritos de dona Medi Nelz (esposa de médico ilustre), João Leopoldo Lied (tabelião e um dos fundadores) e Hugo Daros (historiador ). Basta ler a documentação cartorária de Gramado.
A busca de ações comprometidas para esta retomada vem acontecendo nos últimos 15 anos, especialmente entre as famílias mais antigas que ainda habitam nosso município. Famílias que quase perderam sua identidade lusa. Um compromisso histórico que encaminhou ações de médio e longo prazo, para este resgate.
Convidamos vocês todos para animar mais este novo tempo. Um tempo que depende do envolvimento de toda uma comunidade. E com a proteção do Divino Espírito Santo, fé inicial dos açorianos e de nossa população formativa, vamos nos encorajar a conhecer, divulgar e animar a cultura açoriana na serra gaúcha.
Nesta Festa da Colônia, os descendentes luso-açorianos em Gramado terão um espaço maior e de amostragem nos resgates documentais que estão acontecendo. Este trabalho de investigação está sendo feito por um grupo em formação – Grupo de Estudos dos Amigos dos Açores – GEAA, com a coordenação do Arquivo Histórico Particular Hugo Daros, que desenvolve pesquisas de longa data.
O GEAA é formado por descendentes portugueses e tem o apoio da Casa dos Açores do RS.
Um chamamento aos descendentes para que iniciem o mais breve possível os seus resgates familiares.
PS: Crônica enviada pela colunista da GramadoSite, Marília Daros.
www.gramadosite.com/mariliadaros
Assim, os caminhos para sair da Europa, navegando à vela, são vários, mas para regressar só existe um... O que significa que, mais do que importante na ida, os portos açorianos eram importantes no regresso, quando os navios, carregados de tudo quanto existia em todo o ultramar, regressavam a Portugal.
Até hoje, no coração do oceano se encontra uma reserva de tradição, identidade e história, noções de tempo e espaço. Ainda hoje, homem e ambiente atuam juntos em favor do turismo de natureza preservada.
“Vem dos Açores a força vitalizadora do povoamento da terra. Agricultores, estendem pela terra as suas lavouras. Em breve, numa adaptação rápida ao meio, tornam-se criadores. De lá nos vem, com os usos e costumes antigos, certos modismos vocabulares que imprimem forte sabor ao nosso linguajar gaúcho. E nos vem a religiosidade profunda, cheia de encanto e de beleza, que ainda hoje transparece nas nossas festas de igreja, na devoção particular pelo Espírito Santo, os leilões de oferendas, o cordeirinho pascal, e em outras mil manifestações da nossa fé religiosa.
De lá nos vem a aparência do tipo primitivo, homens loiros e fortes, olhos claros, imaginação ardente e um certo fundo de misticismo e de idealismo que canta no nosso folclore, que vibra na nossa poesia popular, às vezes ardente e épica, lembrando as lutas contra os mares revoltos, ou suave e misteriosa, impregnada de saudade e de amor.
Nos vem os seus dotes incomparáveis de alma, de sentimento delicado e afetuoso, que constituem o fundamento da família riograndense; a sua nobreza original, a heróica dedicação da esposa, o amor incomparável dos filhos.
De Dutras, Terras, Silveiras, netos de velhos flamengos, vêm, às terras brasileiras, quase gerações inteiras. Loiros, fortes avoengos, cultivadores de eiras.
Sobre os velhos lavradores, nobres estirpes de ilhéus,
Como uma chuva de flores, a coroar seus labores,
Caem as bênçãos dos céus, e a terra é toda primores.”
(Aurélio Porto)
Gramado foi colonizada inicialmente por descendentes destes luso-açorianos, comprovadamente documentada em nossa história. Posteriormente, recebemos descendentes de imigrantes italianos, alemães e sírios-libaneses.
Mas até hoje, pouco ou nada foi enfocado sobre a imigração lusa inicial na nossa história e nunca houve um resgate verdadeiro dos detalhes culturais ainda existentes desta etnia entre nós.
Este é o melhor momento para registros, pesquisas, estudos e ações concretas desta amostragem. O melhor momento para romper com os preconceitos do passado e assumir que, hoje, Gramado possui quase 50 % de sobrenomes nacionais em sua população permanente. Sobrenomes estes, misturados às demais etnias. Temos sangue luso-açoriano em quase todas as famílias gramadenses hoje em dia...
O caminho açoriano em Gramado é um passado a ser revisitado. Basta olhar registros escritos de dona Medi Nelz (esposa de médico ilustre), João Leopoldo Lied (tabelião e um dos fundadores) e Hugo Daros (historiador ). Basta ler a documentação cartorária de Gramado.
A busca de ações comprometidas para esta retomada vem acontecendo nos últimos 15 anos, especialmente entre as famílias mais antigas que ainda habitam nosso município. Famílias que quase perderam sua identidade lusa. Um compromisso histórico que encaminhou ações de médio e longo prazo, para este resgate.
Convidamos vocês todos para animar mais este novo tempo. Um tempo que depende do envolvimento de toda uma comunidade. E com a proteção do Divino Espírito Santo, fé inicial dos açorianos e de nossa população formativa, vamos nos encorajar a conhecer, divulgar e animar a cultura açoriana na serra gaúcha.
Nesta Festa da Colônia, os descendentes luso-açorianos em Gramado terão um espaço maior e de amostragem nos resgates documentais que estão acontecendo. Este trabalho de investigação está sendo feito por um grupo em formação – Grupo de Estudos dos Amigos dos Açores – GEAA, com a coordenação do Arquivo Histórico Particular Hugo Daros, que desenvolve pesquisas de longa data.
O GEAA é formado por descendentes portugueses e tem o apoio da Casa dos Açores do RS.
Um chamamento aos descendentes para que iniciem o mais breve possível os seus resgates familiares.
PS: Crônica enviada pela colunista da GramadoSite, Marília Daros.
www.gramadosite.com/mariliadaros
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