Festa da Colônia traz recordações de infância
Estamos mais uma vez prontos para festejar a Festa da Colônia-2007. Festa que se supera ano a ano na sua organização, nas atrações, na culinária, na alegria do povo e em número de visitantes. Nossos colonos buscam melhorar o atendimento, incrementar e variar o cardápio, utilizar tecnologia atual sem perder as características típicas de uma festa de colonos, cada um dentro de suas tradições e costumes originários dos países dos quais emigraram: Portugal, Alemanha e Itália.
| por Redação GramadoSite |
Pela minha descendência, identifico-me com os usos e costumes dos colonos alemães. A língua alemã em seu dialeto me é compreensível, as músicas entoadas pelas bandinhas são familiares e a comida, com seus temperos característicos me remetem ao tempo da “comida da mamãe”.
Quando criança era hábito falar em “alemão” dentro de nossa casa. Meus avós comunicavam-se só no dialeto alemão. Conforme fui crescendo e freqüentando a escola, o português foi dominando, mas a comunicação familiar persistia no alemão.
Naquela época eu achava que esta era a língua oficial daquele país distante do qual tinham vindo meus ascendentes até que, aprendi que este era um dialeto oriundo de uma determinada região do oeste da Alemanha chamada Hunsrück. Aprendi também que a língua oficial da Alemanha era o Hochdeutsch.
Aí aconteceu uma coisa muito interessante: conforme os anos da escola iam avançando, verifiquei a tristes penas, que falar alemão ou tropeçar no português devido ao sotaque era motivo de risos e piadas.
Quem mostrava saber falar “alemão” era tachado de grosso, colono, sem cultura. Só pessoas velhas falavam em alemão. Então eu emudeci. Eu e muitos outros jovens. A geração seguinte, a exemplo de meus parentes e amigos, nem sequer sabe formar uma frase em alemão. Os pais, já não falavam mais com seus filhos em alemão com receio de prejudicá-los. E assim cresceram as gerações seguintes desprovidas deste privilégio de ser bilíngue.
Já tem mais de uma década que este conceito absurdo caiu. Com a introdução do estudo de línguas na escola fundamental, sobreveio a importância de se aprender outro idioma. O alemão, nem de longe, é o idioma mais procurado nos cursos e tão pouco, é uma língua fácil de aprender.
Hoje, quando tenho a oportunidade de conversar com alguém, não vacilo e me ponho a procurar na memória termos que aprendi na infância. Na Festa da Colônia tenho esta oportunidade. Quando falo com os colonos no dialeto alemão percebo que nos aproximamos mais e torna nosso diálogo mais espontâneo.
Por outro lado, falar com meus pais e avós em “alemão” também me trouxe outras vantagens. A facilidade de compreender e falar a língua oficial da Alemanha, o Hochdeutsch.
Quando estive a primeira vez naquele país, confesso que foi um pouco difícil conversar ou me fazer entender. Compreendia o que falavam, desde que devagar, porém custou-me a conseguir pronunciar corretamente os termos. Isto porque, o nosso dialeto já está muito “aportuguesado”, em outras palavras, muito teuto-brasileiro.
O falante belíngue teuto- brasileiro se apropria com freqüência de expressões e vocábulos da língua portuguesa. Um exemplo: alles gut? Uma tradução literal do brasileiro: tudo bem? Na Alemanha fala-se: wie geht’s? Que traduzido se diria: como vai?
Outras expressões que fazem a mistura dos dois idiomas também se tornou típico. Por exemplo: schuhloja-Schuh em alemão é sapato + loja = loja de sapatos; Milhebrot- milhe do português milho + brot, que em alemão significa pão = pão de milho.
Mas esta é uma “confusão” sem pecados. Ao contrário do que muitos professores pregam, de que o alemão deve ser falado corretamente, não vejo impecilhos em me comunicar com meus parceiros de descendência desta maneira. Acredito que os descententes de italianos e portugueses tenham também seus tropeços abrasileirados no idioma que utilizam.
De tudo isto, fica um recado. Vou sim à Festa da Colônia. Vou conversar muito, vou me deliciar com a farta gastronomia típica, vou rir e dançar a Polka, a Tarantela e voltar de madrugada embalada pelo típico Fado de nossos colonos luso-brasileiros.
Boa festa a todos!
PS: Crônica enviada pela colunista da GramadoSite, Lisete Heidrich.
www.gramadosite.com/lisete
Quando criança era hábito falar em “alemão” dentro de nossa casa. Meus avós comunicavam-se só no dialeto alemão. Conforme fui crescendo e freqüentando a escola, o português foi dominando, mas a comunicação familiar persistia no alemão.
Naquela época eu achava que esta era a língua oficial daquele país distante do qual tinham vindo meus ascendentes até que, aprendi que este era um dialeto oriundo de uma determinada região do oeste da Alemanha chamada Hunsrück. Aprendi também que a língua oficial da Alemanha era o Hochdeutsch.
Aí aconteceu uma coisa muito interessante: conforme os anos da escola iam avançando, verifiquei a tristes penas, que falar alemão ou tropeçar no português devido ao sotaque era motivo de risos e piadas.
Quem mostrava saber falar “alemão” era tachado de grosso, colono, sem cultura. Só pessoas velhas falavam em alemão. Então eu emudeci. Eu e muitos outros jovens. A geração seguinte, a exemplo de meus parentes e amigos, nem sequer sabe formar uma frase em alemão. Os pais, já não falavam mais com seus filhos em alemão com receio de prejudicá-los. E assim cresceram as gerações seguintes desprovidas deste privilégio de ser bilíngue.
Já tem mais de uma década que este conceito absurdo caiu. Com a introdução do estudo de línguas na escola fundamental, sobreveio a importância de se aprender outro idioma. O alemão, nem de longe, é o idioma mais procurado nos cursos e tão pouco, é uma língua fácil de aprender.
Hoje, quando tenho a oportunidade de conversar com alguém, não vacilo e me ponho a procurar na memória termos que aprendi na infância. Na Festa da Colônia tenho esta oportunidade. Quando falo com os colonos no dialeto alemão percebo que nos aproximamos mais e torna nosso diálogo mais espontâneo.
Por outro lado, falar com meus pais e avós em “alemão” também me trouxe outras vantagens. A facilidade de compreender e falar a língua oficial da Alemanha, o Hochdeutsch.
Quando estive a primeira vez naquele país, confesso que foi um pouco difícil conversar ou me fazer entender. Compreendia o que falavam, desde que devagar, porém custou-me a conseguir pronunciar corretamente os termos. Isto porque, o nosso dialeto já está muito “aportuguesado”, em outras palavras, muito teuto-brasileiro.
O falante belíngue teuto- brasileiro se apropria com freqüência de expressões e vocábulos da língua portuguesa. Um exemplo: alles gut? Uma tradução literal do brasileiro: tudo bem? Na Alemanha fala-se: wie geht’s? Que traduzido se diria: como vai?
Outras expressões que fazem a mistura dos dois idiomas também se tornou típico. Por exemplo: schuhloja-Schuh em alemão é sapato + loja = loja de sapatos; Milhebrot- milhe do português milho + brot, que em alemão significa pão = pão de milho.
Mas esta é uma “confusão” sem pecados. Ao contrário do que muitos professores pregam, de que o alemão deve ser falado corretamente, não vejo impecilhos em me comunicar com meus parceiros de descendência desta maneira. Acredito que os descententes de italianos e portugueses tenham também seus tropeços abrasileirados no idioma que utilizam.
De tudo isto, fica um recado. Vou sim à Festa da Colônia. Vou conversar muito, vou me deliciar com a farta gastronomia típica, vou rir e dançar a Polka, a Tarantela e voltar de madrugada embalada pelo típico Fado de nossos colonos luso-brasileiros.
Boa festa a todos!
PS: Crônica enviada pela colunista da GramadoSite, Lisete Heidrich.
www.gramadosite.com/lisete
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