Um ciclo virtuoso interrompido

Escrevi dois artigos sobre o Plano Real que no último dia 1º de julho completou 25 anos. Os anteriores foram aos 10 e 15 anos do Plano, este último levou o título de "A HISTÓRIA DO PLANO REAL".

Até 1994 todas as medidas tomadas não atacavam a origem do processo inflacionário, era oriunda das manipulações no Orçamento da União.

Relembrando, os primeiros passos desse Plano foram dados ainda em junho de 1993, no governo Itamar Franco, com o Programa de Ação Imediata – PAI. Nele sem choques heterodoxos, como os planos antecedentes, o governo assumiu que a principal causa da inflação era o descontrole financeiro e administrativo do setor público.
O fundamental do PAI não foi deflagrar um combate à inflação, mas sim adotar medidas capazes de resgatar a ética e a credibilidade das instituições, que haviam sido manchadas pelos escândalos dos desvios das verbas públicas e pela manipulação do Orçamento. Voltou acontecer no período de 2003 até 2016.

Pois bem, os governos dos presidentes Luis Inácio Lula da Silva, hoje preso, e principalmente dos desastrosos anos de Dilma Roussef, usaram e abusaram de manipulações no orçamento da União, que foram rotuladas como "pedaladas". Essas ao virem à tona mostraram o rombo existente nas contas do Governo e a ilusão da bonança até então praticada.

Para este ano de 2019 o rombo está estimado em R$ 139 bilhões. Sem contas públicas equilibradas, para se dizer o mínimo, a economia não cresce como agora se vê. Não estamos só vendo como também sofrendo, pelo desemprego na casa dos 13 milhões de brasileiros.

A Reforma da Previdência, agora aprovada em primeiro turno na Câmara Federal foi apenas o primeiro passo, importante, mas faltam outros.

No artigo citado, lembro que o mais importante legado do Plano Real não está no seu impacto na economia, mas o de ter conseguido apagar a inflação da memória de toda população brasileira. Até então era comum para qualquer pessoa ajustar preços fazendo o cálculo de cabeça, pois bastava cortar três zeros para saber quanto algo valia na nova moeda. Ao fixar a paridade de Um Real em CR$ 2.750,00 (Cruzeiros a moeda na época), esse cálculo já não era mais possível ser facilmente feito.

Até 1994 os jovens com até 30 anos jamais tinham convivido com uma economia desindexada. Assim havia uma cultura inflacionária desenvolvida com sistemática indexação, criando um disfarce para a deterioração provocada pela aceleração dos preços, levando a sociedade a conviver com índices mensais de 50% ou mais da forma mais tranqüila.

Hoje os jovens, não têm a menor idéia do que foi conviver com alterações de preços mensais e até diários. A cultura da inflação foi perdida naquele ano.

Chegamos ao ponto que quero abordar, o da inflação. O jornalista Vinicius Neder, do jornal Estado de São Paulo, em matéria desta semana aborda este o tema.

Diz o texto "Desde a introdução do Plano Real, há 25 anos, em julho de 1994, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 508,23%, informou na manhã desta quarta-feira, 10, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ao divulgar a leitura de junho do indicador".

"O grupo Alimentação e Bebidas, um dos mais importantes para a percepção popular sobre a inflação, teve variação abaixo da média com IPCA, acumulando alta de 486,28% no período.

Sim, a inflação continuou nestes últimos 25 anos. O pior, o muito pior é ver que IBGE compilou em dados através do SNIPC, que é o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor e consiste em uma combinação de processos destinados a produzir índices de preços ao consumidor. Este Sistema foi criado em 1980.

De janeiro de 1980 a junho de 1994, o IPCA registrou a impronunciável alta de 11.253.035.454.003,90%. Este representa o acumulado em 14 anos e deve ser comparada a inflação dos 25 anos do Plano Real que foi 508,23%. É ainda uma inflação alta.

Chegamos ter apenas no mês de março de 1990 uma inflação de 82,39%. Para se ter uma idéia do que significa isto, uso como medida que quem tinha uma cédula de 100 cruzeiros, ao fim do mês de março ela valia apenas Cr$ 17,61.

O Plano Real veio estabilizar os preços adequando a nova moeda e para cortar a hiperinflação.

Os governos Lula e Dilma, principalmente o primeiro, criou a ilusão de um "milagre econômico", tão falso como uma nota de três reais. Para tanto usaram e abusaram de emissões de títulos da Dívida Publica da União.

Só o BNDES teve um aporte de R$ 550 bilhões. Deste montante, segundo depoimento ex - ministro Antônio Palocci, foi para financiar os "amigos" aqui e no exterior, com pleno conhecimento do presidente.

O governo Lula recebeu a Dívida Publica da União em R$ 623,19 bilhões, quando a presidente perdeu o cargo de presidente da República em 31 de agosto de 2016, esta dívida estava a R$ 3, 047 trilhões, um salto de 388,93% a mais. A economia do país não teve crescimento igual para pagar esta conta.

Em maio passado a Dívida Pública Federal interna estava em R$ 3, 723 trilhões e a Dívida externa em R$ 155,54 bilhões, totalizando R$ 3, 878 trilhões. O Tesouro Nacional estima que a Dívida Publica Federal ao final do ano se situe entre R$ 4,1 e R$ 4,3 trilhões.

Por que coloco inflação e dívida pública neste texto? Porque os juros têm que ser pagos, assim como os títulos na data dos seus vencimentos. O não pagamento seria o colapso financeiro da Nação.

Esta farra com o dinheiro público foi para obras e empregos no exterior e para as "campeãs nacionais", estou falando apenas do BNDES, que se houvesse sido investido no país teríamos outra infra - estrutura e não o sucateamento existente e também o desemprego insultuoso.

A inflação vem sendo comprimida para não elevar o IPCA, que vai impactar no valor a ser pago aos títulos da dívida. O país foi quebrado pela corrupção institucionalizada.

Há descompasso entre arrecadação e a despesa, razão da necessidade de se pedir crédito cobrir o déficit estimado para este ano. Significa continuar aumentando a dívida pública.

A isso se chegou à necessidade de fazer a reforma da previdência que é o início de outras tão e igualmente necessárias e de diminuir o número de tributos, claro sem reduzir a arrecadação.

Com gestão e fechamento dos sorvedouros das estatais pelas privatizações, atrairemos investimentos que gerarão empregos. A inflação que houver poderá ser verdadeira.

Acredito que desta forma dar-se-á o início da volta do círculo virtuoso interrompido. Este retorno poderá levar a um futuro melhor para aqueles que nos sucederem.

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