 História das ferrovias será contada no Museu do Trem, instalado na antiga Estação Férrea da Várzea Grande |  |
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Há cerca de um ano foram iniciados os trabalhos de recuperação do prédio da Estação Férrea Várzea Grande. Paralelamente à restauração do prédio, começaram os trabalhos de pesquisa para reunir relatos e objetos que ajudassem a resgatar a história e a importância do local para a cidade. O pesquisador Gilnei Casagrande é o responsável técnico pelo projeto de implantação do Espaço Cultural Viação Férrea e conta à
GramadoSite.com como estará o Museu do Trem no dia de sua inauguração, sexta-feira, 16 de maio.
Não só revelar, mas reconstruir o passado
Segundo Casagrande, o Espaço Cultural Estação Férrea Várzea Grande vai reunir ampla e variada documentação sobre a malha ferroviária sul-riograndense e um acervo fotográfico coletado com a colaboração da comunidade. “Uma das formas de conhecer Gramado é não só revelar o passado, mas reconstruí-lo, esse é o objetivo deste novo ponto turístico”, define. Casagrande considera a restauração da estação férrea um compromisso com a comunidade. Ele conta que o terreno pertencia à Mosés Bezzi, que, anos mais tarde, pediu de volta ao governo estadual as terras em que havia sido instalada a estação. “A família Bezzi nunca recebeu resposta do estado. Acho que agora a cidade está dando essa resposta”, avalia. A carta enviada por Bezzi ao governador é um dos documentos que compõe o acervo do museu.
Gramadenses ajudaram a contar a história do trem
O pesquisador descreve o passo-a-passo do trabalho desenvolvido na configuração do Museu do Trem. Foram feitas reuniões com a comunidade local, a fim de reunir fotografias, objetos, além de relatos sobre a estação férrea. Dois servidores da Prefeitura foram treinados para entrevistar as pessoas, de modo que 37 depoimentos foram colhidos ao total. “Essas pessoas irão ao museu para se ver e vão multiplicar essa informação na comunidade, gerando uma identificação no bairro, o que é muito positivo”, considera Casagrande. “Este será o primeiro ponto turístico de Gramado fora do centro urbano. Que bom se tivéssemos um espaço assim em cada bairro”, avalia.
Peças remetem ao tempo áureo das ferrovias
O segundo passo foi ir ao encontro de antiquários e estações de outras cidades gaúchas para compor o acervo de peças e máquinas da época. “Tínhamos um vácuo muito grande, pois havia um intervalo de 45 anos desde que a estação foi desativada”, comenta. Relógios, máquinas de escrever e calcular, lanternas, móveis da época e muitas fotografias remetem àquele tempo em que as ferrovias interligavam as cidades gaúchas. Um antigo mapa com a malha ferroviária da época estará reproduzido no museu. Os bancos de ferro das antigas estações foram mantidos no prédio. Os trilhos originais formam o caminho de entrada no museu. Houve a preocupação em recuperar as madeiras e obter cores muito próximas às da estação quando ela ainda estava em funcionamento.
Trem interligava Taquara a Canela
Os documentos apontam que a Estação Férrea Várzea Grande funcionou de 1922 a 1963, mas o pesquisador tem notícias de que o Coronel João Corrêa teria solicitado a instalação da ferrovia já em 1899 e ela teria sido fundada em Gramado em 1904, a título de experimentação. “Depois, Major Nicoletti liderou o movimento para trazer a estação para o que hoje é o centro de Gramado (onde nada existia na época), a fim de facilitar a ligação dos trilhos até Canela, pois a geografia e o relevo da Região inviabilizavam a passagem do trem pela Linha Nova, onde muitos colonos já estavam instalados”, revela. Depois de sucessivas negociações e investidas, Nicoletti teria conseguido o que queria em 1913. Começava ali, quase sem querer, uma ligação que perdura até hoje e se tornou essencial para a economia de Canela e Gramado, cidades que hoje vivem do turismo.
De segunda a domingo, com entrada franca
A exemplo dos outros museus municipais, o Museu do Trem terá entrada franca. O funcionamento será ininterrupto: de segunda-feira a domingo, com atedentes treinados para contar aos visitantes toda essa história que a
GramadoSite.com já adiantou. Gilnei Casagrande está em contato com as agências de turismo para incluírem o Museu do Trem no roteiro dos que visitam Gramado, mas ele considera fundamental o papel das escolas na disseminação dessa cultura entre os estudantes da própria comunidade, especialmente daquele bairro.
Uma nova página na história do turismo
Escolas, Brigada Militar e Polícia Civil, Sindicato da Hotelaria e Gastronomia, Sindicado dos Empregados da Hotelaria, agências de turismo e servidores dos postos de informações turísticas terão palestra com o pesquisador na terça-feira, 13, antecipando a abertura do novo espaço cultural e turístico de Gramado. “O Turismo Cultural é uma modalidade de turismo cuja motivação do deslocamento se dá com o objetivo de formação e de informação, e se caracteriza por um contato mais íntimo com a comunidade, no intuito de aprofundar a experiência cultural”, destaca Casagrande. Nesse sentido que o tema de sua palestra será: “Uma nova página do fazer turismo”. E o turismo de Gramado ganha uma nova página em sua história.