Venha à Serra Gaúcha pela Rota do Sol

Noticias Região 03 Março / 2008 Segunda-feira por Gramadosite

Deixando as praias gaúchas, percorrendo a Estrada do Mar, um trecho totalmente asfaltado cruza a BR-101 e nos leva rapidamente a Terra de Areia.
O município de Terra de Areia é o ponto de partida da Rota do Sol para quem vem do litoral com destino à Serra. Conhecida como “a capital do abacaxi”, devido a grande produção dessa fruta, a pequena cidade aproveita o verão para comercializar tudo o que produz nas encostas dos morros, repletos banana, cana-de-açúcar, milho e feijão. Em grande parte do trajeto encontramos barraquinhas vendendo esses produtos coloniais. Quando chegamos ao “pé da Serra” avistamos o feito grandioso da engenharia que desafiou a natureza, enfrentou a complexidade geológica e superou as dificuldades na logística de execução dessa imponente obra.

A RSC-453 liga Terra de Areia à localidade de Tainhas, onde fica a Estação Ecológica de Aratinga, no topo da Serra. A partir de Tainhas é possível ir direto a cidade Caxias do Sul, pela própria RS-453, ou então ao município de Francisco de Paula, pela RS-020. De “São Chico” a Canela, nossos olhos são inundados pelos verdes Campos de Cima da Serra onde as araucárias reinam “solitas” nos chamados capões de mato. São 32km até chegarmos em Canela, outra cidade repleta de belezas naturais, entre elas a Cascata do Caracol. Apenas mais 7km nos trazem a Gramado, terceiro destino turístico mais desejado pelos turistas de todo o país!

A Serra do Pinto

Essa ligação entre o Litoral e o Planalto da Serra Geral se faz através da Serra do Pinto, uma estrada com cerca de 55km e ótimas condições de trafegabilidade, pois acaba de ser concluída. Uma série de túneis e viadutos recortam esse trajeto da Rota do Sol, descortinando paisagens incríveis.
Tanto subindo, quanto descendo a ordem é a mesma: vá devagar. O motorista não pode desgrudar os olhos da estrada, que apesar de segura, apresenta curvas perigosas, a quase mil metros acima do nível do mar. Quem vai na carona sim, pode aproveitar, basta abrir a janela do carro, curtir o ar fresco, fotografar e filmar todo o trajeto, que tem cerca de 10km e não leva mais do que 20 minutos para ser percorrido, mas é muito bonito!

A história da Rota do Sol

Registros de historiadores e arqueólogos revelam que a descida da Serra do Pinto até a Planície Costeira (RS-486), foi um caminho natural trilhado por nativos há 6 mil anos.
Mas a Rota do Sol, também conhecida como “estrada da praia” e “transpolenta” (numa alusão aos principais usuários, descendentes de italianos que moram na Serra) começou a ser construída apenas em 1972 e precisou de 35 anos para ser concluída. Atualmente está registrada junto ao DAER como Rodovia Euclides Triches.

O novo cartão postal gaúcho reduziu em mais de 100km o trajeto entre a Serra e Litoral, refletindo diretamente no aspecto econômico do Estado, que passa a escoar grande parte da sua produção, representando mais empregos, renda e milhões em cargas durante o ano inteiro.

No quesito turismo, o impacto também é visível. Além de encurtar distâncias satisfazendo um antigo anseio de quem mora na Serra, os túneis e viadutos da Rota do Sol revelam cenários incríveis que retratam toda a beleza dos paredões com fauna e flora rica em cores e diversidade, num convite ao que se pode chamar de “turismo ambiental”.

Cruzando o Estado

A Rota do Sol atravessa todo o Rio Grande do Sul, no sentido Leste-Oeste. Seu início é no entroncamento com a Estrada do Mar (RS-389) – depois que, em 2003, foram incluídos os 12,5km entre Curumim e Terra de Areia. De Terra de Areia, ela sobe pela Serra do Mar, no eixo da RS-486, até encontrar a RSC-453. Pela RSC-453, a Rota passa pela Serra Gaúcha, pelo Vale do Taquari e chegando ao Vale do Rio Pardo (Venâncio Aires), onde encontra a RSC-287, até Santa Maria, e dali, pela BR-287 até São Borja. Ao todo são 773 km.

Números incríveis

Atualmente a Rota do Sol está liberada para tráfego nos dois sentidos da Serra do Pinto. A obra de engenharia construída pelo homem impressiona. Túneis interligam megaviadutos de reversão do tráfego. Só para se ter uma idéia, a Galeria da Curva do Paredão, com 22m de extensão e 95m de largura, ocupou 21mil metros cúbicos de aterro e consumiu 1,5 mil metros cúbicos de concreto. O Viaduto da Cascata, na localidade de Aratinga, em São Francisco de Paula, é a maior obra de arte da Rota do Sol, com 340m de extensão e 108 vigas sustentadas por 13 pilares que viabilizam o tráfego em duas faixas para subida e uma para descida. Para possibilitar a abertura dos túneis, foram usados 168 mil quilos de explosivos. Certamente lá em 1972, quando se idealizou um caminho da Serra ao mar, jamais se imaginou algo dessa grandeza!

Fontes:
DAER, Portal Engeplus, Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Secretaria dos Transportes, Secretaria do Infra-Estrutura e Logística.

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