| | Acessibilidade ao turismo ainda é tema novo no Brasil e no mundo |
A maioria dos hotéis não oferece condições de hospedagem para pessoas com deficiência*. São barreiras arquitetônicas, adaptações que os engenheiros não previram no projeto. Os ônibus de turismo então! Raríssimo encontrar uma cidade com veículos dotados de portas largas e rampas móveis, adequadas para atender quem não caminha com as próprias pernas. Mesmo as calçadas são um perigo para quem se locomove com cadeira de rodas, e nem todas as esquinas têm o declive adequado para pular da rua para o passeio público.
E por aí seguem os entraves que impedem o acesso de cadeirantes a muitos prazeres que aos demais são corriqueiros. Isso causa constrangimentos, como o de ter que ser carregado no colo de um lado a outro. Causa desânimo, porque às vezes a viagem para o destino tão sonhado pode se tornar um pesadelo. É pela não adaptação que os deficientes físicos acabam se vendo marginalizados na sociedade – quanto mais no contexto turístico.
Para fazer esta matéria, consultei dezenas de hotéis e pousadas em Gramado e Canela. Alguns alegaram que falta espaço físico para poder atender bem a este público, outros informaram que faltou planejamento na hora de construir o prédio e muitos se desculparam, dizendo que estão providenciando adaptação. Poucos, de fato, dispõem de um ou outro apartamento com portas mais largas, armários e interruptores em altura mais baixa, box maior e equipado com banco e barras de apoio, bem como barras nas piscinas e sauna do hotel, além de rampas de acesso aos locais de convivência.
Deficientes visuais também sofrem, pois não se vê muitos restaurantes com cardápio em braile, por exemplo. E os deficientes auditivos: quantas cidades dispõem de telefones para surdos? São muitas as adaptações a se fazer para garantir o conforto destes, que são cidadãos e têm direitos como quaisquer outros.
*Nesta série de matérias, predomina a expressão pessoas com deficiência ou deficiente em detrimento da difundida portadores de necessidades especiais. Segundo a psicóloga clínica e educacional Maria Beatriz Würth Lagranha, que trabalha na área de acessibilidade e inclusão social do Instituto Pestalozzi, de Canoas/RS, as próprias pessoas com deficiência convencionaram essa nomenclatura como a mais adequada. |  | |