• Sebastião Fonseca de Oliveira, Presidente da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Franqueiros (ABCBF) é um guerreiro em busca das origens e culturas gaúchas. Junto com outros 11 associados, 7 criadores de gado e alguns parceiros, como a UFRGS, a FEPAGRO, a Associação Nacional de Criadores "Herd-Book" Collares (ANC) e o Ibama, faz um resgate histórico do Gado Franqueiro. A primeira e mais pura raça que movimentou o comércio no Rio Grande do Sul e que ainda sofre ameaça de extinção. Sebastião cria em sua Fazenda 30 cabeças de gado franqueiro, e faz esse dedicado trabalho de recuperação da espécie há 28 anos.
  • “A história diz que os ancestrais do gado franqueiro foram domesticados no Egito, há 6.000 anos. Daí, seguiram para a Península Ibérica, e desta para as Américas. O gado da América do Norte, de guampas finas (longhorn), foi trazido, por Cristóvão Colombo em 1493.

    Os primeiros animais aportados na costa brasileira, São Vicente, em 1534, eram descendentes do mesmo casco ibérico, trazidos pelo donatário das Capitanias Hereditárias de São Vicente, Martin Afonso de Souza, português, e em 1541, por Alvar Nuñes Cabeza de Vaca, espanhol. Descendentes destes, os primeiros crioulos americanos foram levados pelos irmãos Góes e alguns castelhanos, a cargo do vaqueano “um fulano Gaete”, em 1555, de São Vicente para Assunção, Paraguai.
  • Dizem que eram sete vacas e um touro. Desta reprodução seguiu uma parte deste indez para Santa Fé, Argentina. E desta região para o grande rodeio da Bacia da Prata, o pastoreio da Vacaria do Mar, (Banda Oriental), Uruguai, em 1611 e 1617, por ordem de Hernandarias (Hernando Arias de Saavedra). Destas reproduções, os padres jesuítas repontaram para as estâncias Missioneiras e para Vacaria dos Pinhais – que estava em formação no Rio Grande do Sul, por volta de 1710.
  • Na antiga Vacaria dos Pinhais, Campos de Cima da Serra, o gado franqueiro aquerenciou-se, povoou as sesmarias ondulantes, selecionando-se naturalmente e sustentando a economia por séculos.
    flanco, livre, xucro, selvagem, cimarrón, sem dono, sem marca.
  • No Brasil, a introdução de animais passou por um longo período de adaptação, no qual as raças de origem europeia, adaptadas a clima temperado, tiveram que se estabelecer no clima tropical; devido à redução de seu potencial produtivo no novo ambiente, algumas delas foram abandonadas e se desenvolveram em ambientes naturais, em condições selvagens ou semi-selvagens e passaram a constituir as raças locais (autóctones).
  • Indivíduos que sobrevivem nessas condições, com pouca interferência humana, também sofrem seleção, mas esta é praticada pelo meio ambiente (seleção natural) e, através dela, os mais competitivos, e/ou que têm maior resistência às condições adversas locais (como escassez de alimento e água, condições climáticas severas e ocorrência de pragas e doenças) sobrevivem mais e deixam mais descendentes para a próxima geração.
  • O gado franqueiro está concentrado na Região Sul do Brasil, mais especificamente nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Está presente em aproximadamente 15 propriedades, com cerca de 700 animais, dos quais 190 no Estado do Rio Grande do Sul. Os bovinos Franqueiros são criados nas seguintes propriedades gaúchas:
    Sobrado Branco, em Canguçu; Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária (FEPAGRO), em Viamão; Santo Expedito, em Vacaria; Fazenda Nova, Pessegueiro e Bela Vista, em São José dos Ausentes; Lajeado das Taipas e Fazenda Faxinal, em São Francisco de Paula.
    Assim, foram investigados marcadores genéticos em animais provenientes do município de São Francisco de Paula, RS, (17 animais) e de Lages, SC, (56 animais).Os resultados indicam que estes animais constituem-se em um recurso genético altamente valioso, não só como raça pura, mas como fonte para cruzamentos com outras raças, devendo-se tomar medidas urgentes para a sua preservação.
  • Adicionalmente, a não preservação de raças localmente adaptadas leva à redução da biodiversidade mundial, com consequente risco da garantia de alimentação mundial.
    O desaparecimento de raças típicas tem implicações a curto e longo prazo e pode significar que fazendeiros e criadores percam animais resistentes a doenças locais e tenham menos possibilidade de responder às alterações ambientais ou a futuras mudanças de preferência dos consumidores.
  • A pelagem é multicolorida, de todo pelo. Os mais característicos são os Africanos, pelo preto e de vermelho, pretos do lombo branco pintado ou vermelho do mesmo tipo. De outro tipo, são os Jaguanés Fumaços, de pelos pintados (salinos) e de pelos brancos de orelhas e focinhos vermelhos ou orelhas e focinhos pretos. Além destes, os vermelhos ou mascados (cara branca), os barrosos, os baios, os overos (manchados) e os brasinos, entre outros.”
    Existem dois tipos de Franqueiro, o Borrachudo (guampas curtas e grossas de até 65 cm de circunferência e 50 cm de comprimento) e o de guampas finas e compridas com 230 cm de uma extremidade a outra, ambos grandes e fortes, couro grosso.
  • Serviço:
    ABCBF (Assosiação Brasileira de Criadores de Bovinos Franqueiros)
    Sede: Fazenda do Faxinal, RS 235, Km 64 - Gramado
    Contato: (54) 3286.1780 ou (54) 9988.2422
    Mais inforações: antigocaminhodastropas.com.br
    O resgate do Gado FranqueiroA espécie que movimentou a economia gaúcha.


    Texto por Tania de Azevedo Weimer e Sebastião Fonseca de Oliveira

    Fotos por Eduardo Rocha e Sebastião Fonseca de Oliveira