• A expressão “Móveis de Gramado” define muito mais do que um tipo de produto procedente de um determinado lugar. Móveis de Gramado é uma marca, quase que uma etiqueta, um selo de qualidade. Há mais de quatro décadas, a Região das Hortênsias se mantém como referência no setor, é o segundo maior pólo moveleiro do Rio Grande do Sul e exporta seus produtos para o mundo inteiro.

  • A história do setor moveleiro em Gramado começou pelas aulas de uma artesã. Com o passar dos anos, o design dos móveis daqui precisou ser repensado para seguir as tendências do mercado pelo mundo e continuar sendo competitivo, mas o acabamento artesanal foi mantido. Essa mescla de tecnologia com trabalho manual é o que mantém os móveis de Gramado em alta até hoje. As indústrias daqui comercializam para todo o Brasil, além de exportar para os mercados da Europa, Estados Unidos, Oriente Médio e Mercosul.

  • A indústria de móveis começou a se desenvolver em Gramado na década de 1960, quando Elisabeth Rosenfeldt dava aulas de artesanato na cidade. Elisabeth veio da Alemanha em 1927, mas se instalou em Gramado somente em 1964. Ela abriu o primeiro artesanato da cidade, o Artesanato Gramadense. No turno da noite, dava aulas de tecelagem, pintura em cerâmica e móveis. Os alunos foram deixando o ateliê da professora para abrir suas próprias fábricas de móveis e seu empreendedorismo acabou fazendo escola.

  • Os móveis de Gramado carregaram essa marca artesanal, quase que colonial, durante décadas. No entanto, por volta dos anos 1980, os moveleiros se deram conta de que o estilo clássico logo não poderia mais concorrer com o novo design que estava se desenvolvendo e conquistando o mercado. Foi preciso mudar.

    A mudança não foi radical: o tradicional se misturou ao moderno e os móveis de Gramado ganharam um novo e diferenciado conceito, mantendo a mão-de-obra artesanal no acabamento.

  • Cerca de 200 fábricas de móveis estão espalhadas por Canela, Gramado, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula, a maioria de pequeno e médio porte, sendo que 70 delas estão associadas ao Sindicato das Indústrias do Mobiliário da Região das Hortênsias - Sindimobil. Estima-se que o setor gere 5 mil empregos diretos na Região, o que representa 25% da população economicamente ativa de Gramado, para se ter uma idéia de sua importância para e economia local.

  • Em comparação a outros pólos moveleiros, a Região das Hortênsias se diferencia não por possuir grandes empresas, mas empresas em grande quantidade e de tamanho menor. Fábricas pequenas conseguem atender ao apelo moderno sem abandonar o toque humano. Há detalhes que só podem ser obtidos pela mão do homem. Isso torna cada peça única e agrega valor ao produto. É o tal acabamento artesanal, o detalhe que faz toda a diferença.

  • O Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, conserva uma peça regional premiada com o 1º lugar na categoria Mobiliário do Prêmio Design MCB 2007. A cadeira premiada foi desenvolvida com inspiração européia, lembrando o estilo dinamarquês dos anos 50/60. O design característico dos móveis de Gramado elevou a cadeira Gisele a peça de museu.

  • Móveis de GramadoDesign moderno com acabamento artesanal


    Matéria publicada em 03/06/2008

    Por Taís Seibt
    Fotos Arthur Silveira