• Antes de começar, é preciso deixar claro que o correto é a fondue e não o fondue. A palavra é de origem francesa e significa “derreter”. Já a origem do prato é suíça. Os camponeses não tinham como buscar mantimentos na cidade, pois as montanhas e os vales alpinos ficavam cobertos de neve. Abastecidos com pão e vinho, derretiam os restos do queijo que produziam e mergulhavam o pão na mistura fervente. Uma comida simples, saborosa e nutritiva para agüentar o frio.

  • Alguns afirmam que a fondue foi criada por volta do século XVI-XVII, pois a receita teria chegado à França no século XVII. Outros atribuem sua criação ao período da Segunda Guerra Mundial. Na década de 1950, a iguaria teria começado a ganhar fama em Nova York, quando o chef Conrad Egli, do restaurante Chalet Suísse, incluiu o prato no cardápio e criou a fondue de chocolate para servir como sobremesa.

  • Os empreendedores gramadenses encontraram na culinária suíça um apelo eficaz e a fondue acabou se transformando quase que num ritual sagrado no inverno daqui, que pode até não congelar as montanhas, a exemplo dos alpes da Suíça, mas é rigoroso o bastante para inspirar mais requinte ao paladar.
  • Em Gramado, além da receita tradicional da fondue de queijo e da criação nova-iorquina de chocolate, é servida a fondue de carne. Você pode optar pela seqüência: queijo, carne e chocolate, nessa ordem. No formato a la carte, você escolhe um dos oito tipos de fondue oferecidos pela casa. É uma opção mais econômica e não menos saborosa.

  • A fondue é uma comida para ser saboreada. Tem todo um ritual: mergulhar o pão no queijo, fritar a carne, escolher o molho, cobrir as frutas com chocolate... não dá para ir a uma casa de fondue com pressa, é preciso pelo menos uma hora e meia para “sentir” a refeição. Também não convém ir sozinho. Até pelo ritual que envolve, ir a uma casa de fondue é ideal para uma boa conversa entre amigos e familiares ou um jantar romântico para os apaixonados. Também por todas essas características, a iguaria é mais convidativa à noite, quando o passeio dá uma acalmada.

  • A seqüência começa com a precursora: fondue de queijo. Preparada com queijos genuinamente suíços, como emmental e gruyère, acrescida do holandês maasdan, a mistura ainda recebe vinho branco seco e kirsch, licor de cereja, que dá o toque final no sabor. A fondue de carne vem acompanhada de 16 tipos de molho. E a sobremesa, fondue de chocolate, conta com oito variedades de frutas, mais wafer e suspiros. É de comer suspirando mesmo...

  • A personalização é uma constante em Gramado, até mesmo na fondue. Nas opções a la carte, a fondue au vin pode ser preparada com o vinho da preferência do cliente. Literalmente “ao vinho”, essa receita, que você pode conferir aqui, perfuma o ambiente, misturando vinho tinto de excelente qualidade, manjericão e cravo. Entre os molhos para salpicar nas lâminas de filé, estão combinações que vão desde ervas aromáticas, como no petit poa, até maçã com nozes. Também no molde a la carte, há opções com filé de frango e peixe, lombo e camarão. De sobremesa, fondue de chocolate branco ou preto, ou ainda de bombom. Para beber, um delicioso vinho nacional, de qualidade indiscutível.

  • O que tem sido muito procurado por aqui é a fondue na pedra: la pierrade. Inicialmente feito com a utilização de uma pedra vulcânica importada, era difícil encontrar, poucas casas ofereciam. Com o tempo, descobriu-se uma pedra brasileira, a pedra-sabão, que serve perfeitamente para o preparo. O proprietário de um restaurante da cidade informa que 90% da fondue é servida na pedra. Cada vez mais a opção tem sido procurada pelos clientes, por não envolver óleo na fritura da carne, assim o odor não perturba e o alimento se torna mais saudável.

    A pedra é aquecida no forno a 180ºC antes de ser levada à mesa. Untada somente com sal, a pedra está pronta para fritar as lâminas de filé. O sal, aliás, ganha dupla função: salgar a carne e evitar que ela grude na pedra. Depois de utilizada, a pedra precisa ficar em repouso até o dia seguinte, para garantir sua durabilidade e a higienização adequada para reuso. O descanso também impede que o choque térmico do contato da pedra aquecida com a água fria rompa o artefato.

    O preparo cuidadoso da chef da casa é reconhecido pelos clientes mais fiéis. Sinal de qualidade comprovada. Um dos molhos preferidos é o chutneit de abacaxi, receita que você confere aqui, é um dos 14 acompanhamentos para a fondue do Colosseo, um molho doce temperado com pimenta e passas.

  • Os italianos, conhecidos pela culinária farta e saborosa, também aprenderam com os camponeses uma receita, que depois foi refinada, à maneira suíça da fondue. Em Gramado, você encontra a bagna cauda, que significa “molho quente”. É uma espécie de fondue preparada com azeite de oliva extravirgem, alho picado e filé de anchovas, prato típico de Piemonte, norte da Itália.

  • Essa receita, pouco difundida, mas muito saborosa, você também pode aprender aqui. É claro que o toque do chef e o ambiente acolhedor do restaurante serrano, num local privilegiado, bem no centro de Gramado, soma requinte ao sabor. Em todo o Brasil, há somente três restaurantes que servem a bagna cauda. Passando por Gramado, convém aproveitar a oportunidade de experimentar.

  • A origem desse prato é campesina e medieval. Surgiu por volta do ano 1200, na região de Piemonte. Os camponeses trabalhavam na vinícola durante 11h ou 12h por dia. Em casa, as mulheres preparavam o molho para cozinhar os legumes para os maridos, a fim de cortar a reação do ácido da uva utilizada no feitio do vinho no organismo dos trabalhadores.

    Os vegetais podem ser levados para a calda pré-cozidos ou ao natural. Uma das diferenças para a fondue é que o molho é temperado. A bagna cauda serve como prato de entrada. O Tarantino oferece vinhos da região norte da Itália para acompanhar, promovendo um mergulho na cultura italiana, mesmo estando em Gramado. Aliás, estar em Gramado é um constante mergulhar-se em culturas de terras distantes, trazidas para cá a fim de emprestar mais requinte ao passeio pela Serra Gaúcha.