Ética e Espiritualidade: Fundamento para uma sociedade sustentável

Economiaenegocios Artigos 08 Outubro / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

A premissa da qual a modernidade e da pós-modernidade, aliás, que seguiu o mesmo fio condutor em sua conduta, fez com que a sociedade se tornasse refém do simples desenvolvimento tecnológico como se o mesmo fosse a resposta última para a realização do ser humano. Passados anos com esse enfoque unidimensional, o resultado tem conduzido o homem e a cultura contemporânea, os costumes e normas a uma situação de medo, insegurança e desconforto.

Na prática tem se manifestado na existência do dia a dia a dificuldade de viver a alegria, a paz, algo tão desejado. No entanto, com a diluição dos valores e o cultivo da interioridade humana focando apenas em coisas materiais e exteriores começa haver no conjunto da sociedade um descompasso no caminho existencial. Fica então a pergunta: O que está faltando para que sintamos alegria e realização?
Por um lado, entende-se o entusiasmo pelos avanços da tecnologia, embora sempre a mesma precisa saber que se trata de algo inserido na temporalidade existencial, por outro, há uma necessidade premente do tempero do que seja o “humano”, ou seja, é alguém que tem seu fundamento na sociabilidade na espiritualidade e não no isolamento.
Os recursos da tecnologia na atualidade são abundantes como a internet, os modernos meios de comunicação de vários tipos, a imprensa falada e escrita, celulares ao alcance de grande parte da população. Tudo isso é algo sensacional, embora sempre há dois lados: o risco de uma comunicação exclusivamente virtual e o declínio da comunicação real. As pessoas vivem umas ao lado das outras, mas sentem a solidão, entre outros aspectos que acabam esvaziando o próprio “ser” da pessoa, afinal o humano é um ser de relações e não consegue viver feliz no isolamento.

O quadro que a contemporaneidade nos retrata é que: “...a existência humana está mergulhada no desespero que busca a salvação e a instauração de um sentido para a vida. Mas há também um desespero que perde; aquele que não se abre ao infinito, que, portanto, se encerra em si mesmo, em sua miséria “contra Deus”. (SIDEKUM, Antônio – Ética e Alteridade – A subjetividade ferida – Ed. Unisinos – 2002). E segue:
“...desta forma, o próprio desespero é dialético no sentido de que é ambíguo em seu significado, tudo dependendo do modo como resolvemos a tensão dialética entre um desespero aberto ao absoluto e um desespero fechado em si mesmo”.

A grande dificuldade da atual cultura é ter a humildade de abrir-se ao sentido e/ou a Transcendência como ter a capacidade de levantar o olhar para a infinitude e não sofrer asfixiado pela transcendência imanente. Enquanto não houver um “mea culpa” do homem pós-moderno e a reconciliação consigo mesmo, com o outro e com Deus a angústia, a depressão e o desespero tornará a vida, apesar de toda a tecnologia, um campo minado do “sem-sentido”. O filósofo Kierkegaard dizia: “O pavor, a perdição e a ruína moram lado a lado com todo o homem”. Por isso, o melhor e mais acertado trajeto para a realização, é descobrir-se, abrir-se e encontrar o rosto do outro, consequentemente o encontro com Deus.

É bom estar ciente que: “...a existência do indivíduo não consiste na simples intelectualidade do todo da existência. Mas o indivíduo é subjetividade, é potencialidade. A tarefa do indivíduo é tornar-se”. (SIDEKUM, 2000 – p.117). E segue:
“...a relação homem-mundo somente acontecerá no momento em que instaurar uma relação intersubjetiva. Ou seja, o homem só será capaz de significar na medida em que vivenciar a dimensão interpessoal. O homem é essencialmente um “ser-para-o-outro” no mundo. Este é construído pela solidariedade. Assim, instaura-se a autêntica dimensão da consciência e ação”. (ibidem p.138).
É possível um mundo melhor e sustentável, feliz e solidário, mas, por outro, é fundamental a consciência de que sem uma espiritualidade autêntica, e, portanto quer significar de que não se trata de qualquer tipo de espiritualidade, afinal existem por aí muitas espiritualidades, mas sem Deus. O filósofo Jean Ladriére dizia: “O signo dos signos é Jesus Cristo”, embora também em outras religiões não cristãs haja também a marca do Criador. Mas deve ficar claro que Jesus é a Revelação única e exclusiva do Deus Trino.
É bom pensar!

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