Joaquim Pedro Lisboa integrador de etnias na Serra Gaúcha

Cultura Crônicas 28 Novembro / 2017 Terca-feira por Ovídio Hillebrand

Sempre me chamou a atenção nos eventos de Caxias do Sul, a menção do nome de JOAQUIM PEDRO LISBOA. Sendo a região tipicamente de imigração italiana, aparece este luso brasileiro como importante líder em muitos setores na história e cultura caxiense. Tive a resposta para isto ao ler o livro de Marcos Fernando Kirst, RÁDIO CAXIAS 70 ANOS. Nas primeiras páginas já se tem o que realmente é o povo brasileiro: uma mescla de etnias que interagem, cada uma com suas características em habilidades profissionais e culturais. Já nesta história da Rádio Caxias, aparece o autor do livro, Marcos Fernando KIRST, o diretor técnico Eloy FRITSCH, ambos de origem alemã, o jornalista Ernani FALCÃO, o locutor e comentarista Jimmy RODRIGUES, de etnia portuguesa, e, o mais óbvio, os de etnia italiana, o diretor Nestor RIZZO, e locutor e comentarista Nestor GOLLO. Esta mescla étnica em
Caxias continua no seu fantástico desenvolvimento. Os municípios vizinhos, de etnia alemã de um lado e de lusa de outro, enviam material humano para a metrópole de diversidade cultural que se está formando, a "Pérola das Colônias", assim chamada por Júlio Prates de Castilhos quando de sua, talvez primeira, visita a Caxias.

O foco desta crônica é JOAQUIM PEDRO LISBOA que viu que o terreno era fecundo, lançou a semente e continuou cultivando a lavoura cultural durante toda sua vida. Como foi que ele chegou à Caxias? É descendente de açorianos de Rio Pardo, nascido em 1887. A família era um ambiente de cultura e conhecimentos gerais. Uma tia, escritora e educadora gaúcha, Ana Aurora do Amaral Lisboa, teve especial influência nele. O acaso mais marcante de ele ter chegado à Caxias foi por ter sido funcionário inspetor da Companhia Belga de construção de vias férreas em várias regiões do Estado inclusive a de Caxias do Sul. Analisou várias cidades para escolher a mais indicada para a educação dos filhos; viu que Caxias era a que tinha os melhores colégios. Evidentemente o Colégio Nossa Senhora do Carmo, hoje La Salle Carmo foi o que marcou a decisão de Lisboa em 1921, pois, os Irmãos
Professores Lassalistas chegaram ali em 1908. Com espírito visionário, dinâmico e participativo, ficou diretor e presidente de várias associações como Clube Juvenil, Associação Comercial, Tiro de Guerra. Como inspetor do Instituto Rio-Grandense do Vinho teve contato próximo aos vitivinicultores, atividade própria dos agricultores descendentes italianos. Ai estamos no ponto que a mim sempre foi surpresa: um luso açoriano português liderar os produtores de vinho na "pérola das Colônias"! E o foco maior é que este português, na colônia italiana, realiza a primeira "Festa da Uva de Caxias do Sul" em 7 de março de 1931 !!! Quem teria imaginado que esta "Festinha da Uva..." levaria Caxias do Sul a um dos maiores eventos agrícolas, industriais e comerciais do Brasil!!! Esta humilde exposição teria acontecido só num dia de duração onde os agricultores
trouxeram uvas, vinhos, suco, graspa, cucas e doces. Joaquim Pedro Lisboa tinha espírito educador e comerciante; era preciso mostrar a produção e comercializá-la. Vale a pena puxar aos dias de hoje, como municípios seguem o mesmo caminho, cada um no seu setor, como: "Festa da Bergamota", "Festa do "Moranguinho", "Festa do Figo", etc. Tudo tem a sua vez, a sua história, os seus resultados.

Nesta curta crônica só posso dizer ainda que, como vizinhos da "Caxias Pérola das Colônias", temos uma profunda integração com todos os setores imagináveis com esta cidade: estudo, trabalho, saúde. Para maiores informações, sugiro a leitura do "RÁDIO CAXIAS 70 ANOS" onde constam muito mais motivos porque JOAQUIM PEDRO LISBOA é "O PAI DA FESTA DA UVA" e entusiasta animador da equipe dos fundadores da "RÁDIO CAXIAS ZYF3 que funcionou oficialmente desde o dia 27 de abril de 1946.

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