Escola sem partido

Economiaenegocios Artigos 20 Dezembro / 2017 Quarta-feira por Gramadosite

Tenho uma trajetória longa, por anos e anos na educação, com experiência na arte de ensinar. Atuei nas diversas classes sociais, em todos os níveis e graus de ensino. Em toda a minha vida defendi a liberdade religiosa e política. Jamais usei o sagrado espaço da sala de aula para imprimir o carimbo desta ou daquela opção de vida! Isto é fundamental na educação.

Quando foi aprovada a Lei tornando obrigatório o ensino religioso nas escolas do meu Estado, fiquei de cabelo em pé. Quem vai ensinar religião? Quem? Não se preparou ainda o professor pra ensinar religião. Pensei: pode ser um desastre!
Não compete à Escola ensinar religião nenhuma, exceto se a Escola é confessional. O grande desafio da educação é ensinar valores. Em todas as séries, desde as primeiras experiências na Escola, na teoria e na prática. Os educadores podem e devem ensinar os valores básicos da vida e que vão servir às religiões. Que isto seja feito sem paixões!
Muito mais importante do que qualquer projeto de Escola, é preciso preparar-se para fazer um projeto de vida! Todavia, é bom lembrar que a educação tem que ser natural e livre, espontânea, feliz! A criança tem sonhos e um dos maiores é a sua Escola. Ela é encantada com o professor! Então é simples incluir temas relacionados com a felicidade, a paz, o amor, a amizade, fé, sem fazer um pacote com a verdade pronta, com doutrinação e ideologia. Esses conceitos surgem lindos e sem preconceitos no viver infantil. São valores que formam o cidadão global, independentemente de ser cristão ou não, daquele ou daquele outro partido.

É triste o resultado da educação em que o menino sai preparado para quebrar, pichar, incendiar. Pronto para o apartheid social. O cidadão tem que ser preparado para MUDAR e MUDAR-SE. Vendo a si mesmo como sujeito e objeto de sua própria história. As Escolas devem ensinar o amor à Pátria, a comunhão, o respeito.

A criança pode discutir todos os modelos políticos, sem o educador apontar que esta sigla resolve todos os problemas da sociedade e aquela outra explora; A missão do educador é trabalhar pela paz. Sem entrar em detalhes partidários, o educador pode indicar, sim, os valores que devem nortear e caracterizar o gestor de uma nação. É impossível um analfabeto administrar uma potência. Quais as características de um gerente? Deve-se ensinar que, quem dirige um Estado, deve, antes de tudo, estar preparado para amá-lo.

Os desencantos do educador com este ou aquele político ou partido podem ser defendidos, endeusados lá nos diretórios, em outros espaços, nos palanques, nas ruas de forma democrática e pacífica, mas nunca em sala de aula. Que o educador, se achar que deve, vá defender suas convicções políticas e religiosas somente fora do recinto que é igualmente de todos. Ali não é um curral, é sala de aula!



Ivone Boechat

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