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Economiaenegocios Artigos 22 Dezembro / 2017 Sexta-feira por Senador Cristovam Buarque

Pela primeira vez, temos um brasileiro na Academia de Belas Artes da França. Um brasileiro que certamente vai honrar essa respeitada instituição. Sebastião Salgado é um dos maiores senão o mais importante e reconhecido fotógrafo do momento no mundo, possivelmente um dos maiores de toda a história da fotografia. Não apenas pela arte de suas fotos, mas também pela arte de sua vida, pelo seu valor pessoal, por sua aventura.

Conheci Sebastião Salgado quando éramos jovens – ele e eu estudantes na França. Durante o curso, ele decidiu mudar-se para Londres e trabalhar na Organização Internacional do Café, com o intuito de poupar o suficiente para sobreviver com Lélia ­­­Salgado - sua parceira de vida – por alguns meses, durante os quais ele pretendia transformar-se em fotógrafo profissional. Poucos levaram a sério aquela intenção e, sem dúvidas, ninguém imaginou até onde aquela decisão o levaria.

Poucos deram a importância que se dá quando algo começa a acontecer. E, de fato, ao longo do processo, ele não só se transformou em fotógrafo, mas no mais reputado e conhecido, com seus livros de fotografia alcançando as maiores vendas no mundo inteiro. Pode ter algum ou outro que se considere no nível de prestígio e reconhecimento em que ele se encontra e com a obra do tamanho da que ele tem, mas não são muitos que se igualam nesse sentido.

Eu, pessoalmente, com talvez a suspeição de quem o conhece ao longo desses quase 50 anos, de quem já publicou um livro com ele – com as fotos dele, obviamente, e com texto meu –, posso dizer que se trata do mais importante fotógrafo do mundo e uma das poucas personalidades brasileiras de renome internacional, dos raros da minha geração que ficarão na história.

Gênesis deve ser a maior obra de arte fotográfica de toda a história. Mas sua maior obra é sua vida e sua militância na defesa da natureza e dos povos ligados a ela. Sebastião Salgado não apenas fotografou grandes florestas do mundo, ele ressuscitou parte da Mata Atlântica, em Aimorés, Minas Gerais, que havia se transformado em pasto para gado.

É um orgulho para o Brasil ter uma figura como o nosso Tião Salgado e é uma honra saber que é um nome respeitado e reconhecido mundialmente, graças ao seu trabalho ao longo de décadas sistemáticas de cuidado na fotografia da realidade do mundo. Mas não só isso: pelo seu cuidado na proteção da realidade do mundo – como a floresta citada acima –, e o seu amor aos povos nativos, especialmente os brasileiros, embora não só do nosso país.

Também é dele o trabalho de acompanhamento para garantir a sobrevivência e a proteção de grupos indígenas primitivos no Brasil e em outras partes do mundo. E ele faz com um carinho, com uma competência e uma radicalidade que raramente se vê. Sebastião Salgado um dia me disse que para merecermos a Amazônia é preciso que cuidemos dela.

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