Autocratas eleitos sempre buscam enfraquecer lideranças influentes do tecido social e da política

Ao lançar o olhar sob o fluxo da história retrospectiva tanto do continente Europeu quanto da América Latina, Central e da América do Norte e outros, percebe-se que ao longo do tempo sempre houve pessoas que almejam ascender ao poder com um perfil autocrata, embora nem sempre seja explícito.

Por um lado, não se podem omitir experiências amargas da história retrospectiva que acaba confirmando no hoje de tal realidade. Muitos demagogos eleitos quando assumem e deseja o cargo político já possui um plano de autocracia, mas nem sempre é assim, e, aliás, é bom frisar que “...a ruptura democrática não precisa de um plano”.
Em outros artigos que já publiquei tenho citado exemplos dessa manobra estrategista dos que têm esse perfil autocrata. Como exemplo Hugo Chaves quando concorreu à presidência na primeira vez. Chamava seus oponentes de “porcos-rançosos” e “oligarcas esquálidos”. Alberto Fujimori no Peru ligava os oponentes ao terrorismo e ao tráfico de drogas, Silvio Berlusconi na Itália atacou os juízes, chamando-os de comunistas e os jornalistas também era alvo, Erdögan na Turquia acusou os jornalistas de propagarem “terrorismo”. (fonte: LEVITSKI, Steven, - ZIBLATT, Daniel – Como as democracias morrem – Ed. Zahar – 2018).
Por outro lado, é bom frisar que “...a maioria das autocracias contemporâneas não eliminou todos os traços de dissensão, como fez Mussolini na Itália fascista, Hitler na Alemanha, Fidel Castro na Cuba comunista {e tantos outros}. (Levitski – Ziblatt p.84).
Todo contexto em que envolve autocrata sempre tem a característica e estratégia de comprar empresários influentes, a mídia a seu favor, mas, e, sobretudo sempre envolvendo muito dinheiro. Por outro lado, aqueles que não se vendem são sumariamente eliminados de alguma forma. Perseguição política, acusações de diversos matizes, quando não correm também risco de vida e/ou precisam se asilar em outro país. Eis aqui dentre tantas outras razões a formação das novas gerações para a “politização”, aliás, que não significa Partido Político, ideologias, mas a capacidade de discernir entre a idoneidade, a justiça e a convicção a partir de valores e princípios que não se negociam. Por quê?
“...os autocratas contemporâneos tendem a esconder sua repressão debaixo de um verniz de legalidade”. (ibidem pp. 86-87). E segue:
“...autocratas eleitos também buscam enfraquecer líderes que disponham de meios para financiar a oposição. Essa foi uma das chaves para a consolidação do poder de Putin na Rússia. Em Julho de 2000, com menos de três meses de Presidência, Putin convocou 21 dos mais ricos empresários da Rússia ao Kremlin, onde lhes informou que estariam livres para ganhar dinheiro durante o seu mandato – mas só se ficassem longe da política”.

Ora, esse exemplo e tantos outros já citados podem servir de reflexão sobre o que permeia os bastidores da política contemporânea, embora, e, sobretudo é preciso estar atentos a todo Estadista que se coloca como o “Salvador da Pátria”, seja da “extrema esquerda” como da “extrema direita”, pois são nocivos para uma democracia participativa, sadia e inclusiva.
Outro aspecto preocupante no contexto da Conjuntura Política socioeconômica é ao que se refere quanto ao mecanismo de governar por “Decretos”. Essa maneira de governar inviabiliza qualquer nação, afinal o país possui uma Constituição e os Poderes competentes, como uma Câmara de Deputados e um Senado estão aí para debater, dialogar, avaliar projetos que dizem respeito ao bem comum. Todo o processo de governabilidade passa por esse processo, caso contrário, há uma anomalia na condução da nação. Sempre é bom lembrar que quando se trata de uma democracia autêntica é preciso paciência e bom senso para chegar a um denominador comum em vista do bem-estar da nação.

Não custa recordar que na América Latina “...todos os quinze presidentes eleitos na Bolívia, no Equador, no Peru e na Venezuela entre 1990 e 2012 eram populistas: Fujimori, Hugo Chaves, Evo Morales, Lúcio Gutiérrez e Rafael Correa. Todos acabaram enfraquecendo as instituições democráticas”. (LIVITZKI – ZIBLATT, 2018 p. 32).
Em contrapartida, há poucas dúvidas que o Estado tradicional que herdamos dos séculos XIX e XX precisa ser repensado. Urge uma nova teoria geral de Estado. Fala-se muito hoje em “Economia de livre mercado” como solução aos problemas da nação, no entanto, parece que esse sistema não contempla o todo da nação. Basta observar as resistências quanto ao modelo. Por quê? Esse sistema do jeito que é conduzido contempla a dimensão social? E, então é ético?
Porque seguir apenas a Escola de Chicago cuja economia de mercado frisa a eficiência, o utilitarismo e o pragmatismo? Parece que uma significativa leva de economistas que conhecemos e desejam que haja uma economia no Brasil seja estável, curiosamente, são formados em Universidades cuja lógica do livre mercado não contempla as “Políticas Públicas”.
Enquanto há outras Escolas, como a “Escola Austríaca” que segue outro parâmetro. A economia de mercado é importante para um desenvolvimento a qualquer país, pois economias estatais e planificadas já mostraram que não se sustenta. É o caso do comunismo, das sociais democracias e dos totalitarismos. Pois são sistemas que bloqueiam a livre iniciativa. Por outro lado, há Escolas de economia que conseguem colocar em prática uma economia de livre mercado sem sacrificar as políticas públicas.
Curiosamente dentre os grandes avanços no estudo da história do pensamento econômico alcançados no século XX, “...está a redescoberta do grande volume de insights econômicos dos teólogos escolásticos católicos tardios, sobretudo na Espanha. Muitos do que esses pensadores do século XVI ensinavam no âmbito da economia revela considerável compreensão e reconhecimento do funcionamento do mercado, inclusive do papel empreendedorismo, da natureza da permuta e da justiça dos preços e salários determinados pela livre interação de oferta e procura. Logo, muito, antes de Adam Smith, uma verdadeira miríade de pensadores não só antecipou muitos dos seus insights a respeito do livre mercado como até mesmo evitou alguns equívocos (sobretudo o da teoria do valor-trabalho, entre outros) que surgiriam na obra do próprio Smith”. (WOODS E. Jr. – A Igreja e o Mercado – Uma defesa católica da economia de livre mercado – VIDE Editorial – Campinas - SP - Maio de 2019 – 1ª Edição. pp.70 e 71). É importante frisar que são possíveis modelos de economia de mercado, respeitando as leis que regulam o mercado, sem omitir as “políticas sociais”. (continua) É bom pensar!