A Pandemia do "Coronavírus" e o terceiro Segredo de Fátima

O tema a ser abordado com este título não se trata de um “oportunismo” barato e sensacionalista, mas algo que nos deve induzir, no mínimo, a pensar e refletir. Se for ou não coincidência, isso é outra questão, no entanto, e, sobretudo, é pertinente a uma boa e séria análise da realidade do tecido social no início deste século XXI.

Se observarmos atentos e humildemente o impacto que essa doença tem provocado no mundo todo, é preciso se perguntar sobre o sentido que possa estar na subjacência. Afinal, querendo ou não admitir “O MUNDO PAROU”; e mais, em pleno tempo de quaresma, concordando ou não com o isolamento. Não deixa de ser um retiro e um silêncio que nos obrigou a parar e questionar. A pergunta que se segue aos agnósticos, ateus, crentes ou não é qual o sentido de tudo isso?
É um tempo em que muitos descobriram com surpresa valores como a convivência familiar, o diálogo entre as pessoas, entre povos e culturas diversas e o respeito mútuo das diferentes concepções de mundo.
Num primeiro momento histórico observou-se que cessaram as divergências políticas, econômicas, étnicas, ideológicas e o discurso voltou-se para a união com vista a superar esse desconforto provocado por esta pandemia. Por outro lado, parece ter mostrado que esquecemos nessa efervescência do dia a dia vivido até então e marcado por um ativismo deslumbrado, que é preciso ter em conta novamente um exame de consciência para verificar quais os pontos que necessitam ser ajustados. Certamente o que emergiu foi o dos valores, tais como o respeito mútuo, a solidariedade e da partilha e outros que se perderam no afã de não se ter tempo para analisar questões que não fosse a economia, o acúmulo de dinheiro e riquezas, de poder e do prazer. Ora se não queremos morrer todos embriagados pela nossa famigerada fome de dinheiro, de bens materiais, com nossas armas letais e com ameaças mútuas. Ironicamente um “VIRUS” microscópico mostrou o quão frágil somos.
No entanto, ao colocar essa reflexão me pareceu estar indo na contramão do livro do escritor Yuval Noah Harari, Homo Deus, publicado com o subtítulo: Uma breve história do amanhã de 2016, e que prevê uma superação de todas essas epidemias em longo prazo no qual a sociedade ao longo da existência humana tem sofrido. Segundo ele, o progresso científico um dia terá a possibilidade de superar o desafio das epidemias e da morte, ou seja, transmutando cientificamente o genoma humano para viver a eternidade no tempo e no espaço. Por outro lado, também tem me chamado a atenção outro livro: O tempo messiânico: Tempo histórico e Tempo vivido de Gérard Bensussan, que caminha de certa maneira na mesma linha. Ora, tudo não deixa de ser um sonho, sem dúvida, embora não deixo de sinalizar de que não fomos criados para viver eternamente na temporalidade, ou seja, “Somos cidadãos do céu” (Flp 3,20-21), segundo a Carta aos Felipenses. Por outro lado, se sabe hoje que outras civilizações muito mais avançadas que a nossa, já existiram e desapareceram misteriosamente. Em outras palavras significa que não somos a civilização de maior avanço.
Não quero e nem tenho a pretensão de predizer ou questionar premunições de escritores famosos como Yuval, Bensussam e outros.
Mas, afinal, sempre é bom ter presente que outros videntes também previram muitas situações como Nostradamus e outros. Algumas no decorrer do tempo se concretizaram de alguma maneira, mas não exatamente como foram visualizadas. Contudo, sempre é bom frisar que isso não se trata de fatalismos, ou seja, algo que realmente vá acontecer. Ninguém tem o poder de prever com precisão um futuro, como se o mesmo não pudesse ser mudado. Afinal, essas previsões podem ser sinais importantes na postura do homem e da mulher, mas tais desejos me remontam ao episódio bíblico da “Torre de Babel”. Por um lado, muitas coisas irão depender muito mais do ser humano enquanto postura baseada na humildade ante a realidade vivida no presente do que um determinismo cego que não possa ser evitado.
Por outra parte, esse desejo de imortalidade na temporalidade parece retratar a arrogância do ser humano: requerer para si a decisão última sobre o sentido da vida. Em contrapartida posso questionar se realmente
Deus irá permitir esse sonho de construir uma imortalidade no tempo e no espaço, até porque, se Deus quer o bem e a felicidade do humano, possui algo que jamais, com nossa razão limitada, se pode imaginar?

Novamente não está aí a petulância do ser humano querer ser deus de si mesmo?

Esse questionamento por meio de uma visão mais ligada à quem tem fé em contraposição aos que se declaram ateus, cientistas, pensadores livres, e tantos que desejam se emancipar do Criador?
Não se tem a pretensão de esgotar o assunto, mas são momentos de divagações em tempo de “quarentena” colocando na berlinda da vida futuristas, videntes, pessoas que pensam que a ciência tem a última palavra sobre todo o universo como também desvinculados da Grande Razão Criadora Universal do Bem” vai permitir tal intento?
O futuro é construído no presente. Mas qual é a intenção que se tem? Disso vai ser preparado um futuro sólido e bonito ou desastroso?
Tenho também a convicção de que mesmo do ponto de vista científico “nem tudo que é possível fazer é ético e lícito”, para dizer que a ciência não tem a última palavra sobre o homem e a mulher.

É a partir desta premissa que faço certo e entre o “segredo de Fátima”, fruto de visões preditas aos videntes, aliás, que nunca foram de natureza fatalista e imutável, mas admoestações com possibilidade de mudanças ao longo do tempo e, por outro, a “previsão de uma alteração radical da própria essência humana” baseada unicamente na pesquisa científica. Embora, a ciência sempre é provisoriedade e nunca última palavra como alguns pretendem que seja.

Que a ciência ainda possa caminhar e avançar muito acredita-se que sim; mas, realizar uma imortalidade e uma eternidade no tempo partindo de um pensamento simplesmente egoísta e horizontal talvez seja um projeto demasiadamente ousado, pois vai na contramão da Razão Criadora Universal do Bem. Este coaduna com o projeto de Deus ou um projeto humano e ambicioso de determinar o que seja imortalidade? A lógica é que se for algo inserido na temporalidade sempre será finito, pois está na linha do pensável. Logo, já não se trata de eternidade. É contraditório. Quem sabe fica algo para teólogos, filósofos, cientistas e outros que possam ter alguma resposta a estas divagações em tempo de Coronavírus!

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