4 características comuns em produtos na era da "transformação digital"

A transformação digital tem modificado a forma como as empresas operam e, principalmente, os produtos oferecidos ao mercado.

Apoiadas no crescimento exponencial das capacidades de processamento, armazenamento e conectividade, combinadas com a redução dramática de custos associados, as companhias têm desenvolvido produtos cada vez mais inteligentes e conectados.

Existem, pelo menos, quatro tendências fortes sendo observadas na geração atual de produtos:

  • Os que estão conectados com a nuvem ou, pelo menos, com outros dispositivos.

  • Os que têm cada vez mais poder computacional e sensores na borda, operando de maneira inteligente.

  • A capacidade de aprender cada vez mais, utilizando recursos de inteligência artificial, interpretação de linguagem natural e outras tecnologias cognitivas.

  • Eles são cada vez menos vendidos como produtos e, cada vez mais, monetizados pelo benefício que geram, em modelos de negócio As a Service (como serviço, em português).


  • Na indústria automotiva, por exemplo, carros já são monitorados e conectados a centrais, ajustam suas velocidades com base em outros carros e estacionam sozinhos - e cada vez melhor. Segundo estimativa da McKinsey, a indústria de dados automotivos deve valer cerca de US$ 750 bilhões até 2030 (aproximadamente R$ 4,2 trilhões na cotação atual).

    Os televisores deixaram de ser “transmissores de sinal” para se tornarem poderosos dispositivos computacionais, com serviços de streaming que aprendem com o comportamento das pessoas e estão conectados com o restante da casa que, por sinal, também está cada vez mais conectada e inteligente. Por conta da pandemia, este formato de entretenimento caiu no gosto dos brasileiros, crescendo 20% desde o início da quarentena, segundo estudo da Conviva.

    No “chão-de-fábrica”, as máquinas já conversam, em tempo real, e ajustam a operação de maneira instantânea reduzindo paradas para setup ou manutenção. Além disso, tem “gêmeas virtuais” simulando e projetando resultados.

    Os exemplos são muitos e crescentemente frequentes. Tornar os produtos mais inteligentes e mais conectados tem, também, permitido às organizações contato mais ativo com os clientes finais e aumentado o poder de barganha em seus ecossistemas.

    Quando Marc Andreessen, um dos mais renomados investidores do Vale do Silício e cofundador da empresa de venture capital Andreessen Horowitz, indicou que o software está engolindo o mundo, ele não se restringiu ao formato que as empresas operam. Em um mundo transformado digitalmente, os produtos - cada vez mais - embarcarão software como forma de gerar valor sustentável.

    Produtos que, eventualmente, não sejam ajustáveis para acomodar as quatro características indicadas acima serão, provavelmente, substituídos por outros que as suportem.



    *Por Elemar Júnior,
    CEO da empresa a ExímiaCo e especialista com mais de 20 anos de experiência em arquitetura de software e desenvolvimento de soluções com alta complexidade ou de alto custo computacional. Tem como expertise o desenvolvimento de estratégias para a inovação.

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