O papel participativo do voto no exercício da cidadania consciente

Economiaenegocios Artigos 12 Junho / 2018 Terca-feira por Padre Ari

É preciso ter consciência que: “...no Estado moderno se define a concepção de poder a partir da força inerente do poder para institucionalizar-se em termos jurídicos e políticos {...} o pensamento do “iluminismo burguês, que tem seus inícios com a Revolução Francesa em 1789, considera que o exercício público das liberdades cidadãs requer uma ordem que as contenha e as regule de acordo com os fins da política do Estado {...} é dizer que o Estado cumpre um papel constituinte do poder à medida que as funções políticas das instituições são respeitadas e obedecidas por parte da cidadania”. (MARQUEZ-FERNANDEZ, Alvaro – A ética na vida da pólis – Ed Atlántico/Nova Harmonia – 2014).

A verdade é que as normas e leis dos direitos políticos e privados que estão inseridos nas estruturas do poder político, e, curiosamente, o Estado se legitima nos seus foros de institucionalidade. Isso significa monopolizar o poder político para estruturar normas jurídicas com a clara intenção de centralizar o uso ou a prática do poder pelo poder.

O povo brasileiro precisa tomar consciência desse engodo que não fornece transparência no exercício da “Coisa Pública”, mormente dos estadistas, pois tal realidade é muito bem costurada que para a população em geral, torna-se confusa toda a verdadeira situação da realidade em que se vive. A população sente que algo não está certo na Conjuntura Política socioeconômica, no entanto parte significativa da população, não consegue sequer visualizar onde esteja a raiz do problema.

Portanto é bom frisar que “...participar na gestão e cogestão do poder implica uma relação de forças sociais que se sentem convocadas ou alentadas por um desenvolvimento das cidadanias onde é, precisamente, o espaço de domínio da força o que estará orientando o sentido jurídico e político das leis do Estado”. (MARQUEZ-FERNANDEZ, 2014)
Por outro lado, percebe-se uma coação da força que invade o imaginário que tende muito mais para uma “cidadania formal” do que uma “cidadania participativa”. Infere-se que no contexto da atual cultura, mormente no Brasil, que os discursos da retórica política se estilizaram para manter o “status quo” com o objetivo claro de continuar esse sistema obsoleto e viciado. Urge ser superado o quanto antes para algo novo e condizente com os novos tempos, aliás, que gritam aos céus.

“...na transformação ética dos direitos humanos na política neoliberal subjazem novos protagonismos de cidadanias tornadas invisíveis pela ordem hegemônica da modernidade

pois
nestas fissuras da ordem coativa das éticas neoliberais do mercado e do consumo, que amparam a depredação da natureza, a tecnificação da política, a despolitização do público, os direitos da apropriação, é recuperar a reflexão crítica acerca da crise dos “valores éticos” da modernidade”. (ibidem)


URGE SUPERAR O BINÔMIO DA “CIDADANIA FORMAL” PARA A “CIDADANIA PARTICIPATIVA E CONSCIENTE”

O Brasil em sua atual Conjuntura política socioeconômica, mais do que nunca precisa de mudanças profundas e realistas. O cansaço e o desânimo da sociedade brasileira entra num estágio contextual e perigoso que é preciso evitar, ou seja, de ter consciência de que o vazio do “poder e da autoridade” nesse ano eleitoral é abrir espaço para aventureiros que almejam o poder. O objetivo que se deve levar em conta são as transformações necessárias em vista de uma nação mais justa, consciente ao exercer a cidadania através do voto consciente.

Em análises de cientistas políticos para o pleito eleitoral do ano em curso e frente aos escândalos da classe política, salvo sempre as exceções, há um desânimo e desconfiança do tecido social em relação aos candidatos que estão se apresentando para o pleito 2018. Partindo desse pressuposto existe uma tendência, segundo os analistas políticos, de mais ou menos 40 milhões de eleitores que pensam em anular seu voto, votar em branco, e/ou invalidarem o mesmo. Em termos reais isso é uma tragédia nacional, pois é esquivar-se da responsabilidade de fazer a diferença. Tal conduta jamais deve acontecer, pois é uma atitude de lavar as mãos e se eximir da responsabilidade para a mudança tão necessária ao nosso país. Está-se descontente? Essa não é a solução, afinal é um número significativo e tão expressivo que poderá ser eleito um presidente com uma concepção de mundo do qual queremos nos livrar. Isso na prática significa “votar” conscientemente acima de partidos e ideologias com promessas miraculosas, mas centrando o olhar nos candidatos.
Por outro lado, a singularidade do pleito nesse ano em curso, é que não se deve votar por causa do partido, mas sim, em candidatos que tenham uma postura de honestidade, ficha limpa, transparência tanto na vida pessoal quanto mais na pública. Na prática significa que há candidatos bons e idôneos, embora poucos, pois sempre tem as exceções, mas jamais os que estão comprometidos com as propinas, conchavos, enriquecimento ilícito.

O povo brasileiro precisa se “...resguardar para proteger sua originalidade {...} a inclusão do outro {deve ser} numa ética plural, pública onde se respeita o universal e o particular de qualquer concepção de mundo, pois é um desafio ao pensamento dialético e crítico, afinal, urge um “desfilosofar” das ordens cerradas e anárquicas dos valores éticos da tradição filosófica e moderna {...} pois os cidadãos têm sido vítimas de direitos negados, obstruídos, conculcados, numa palavra, alienados”.
Prezados leitores! Exerça a cidadania consciente e participativa, não anule seu voto, mas também tenha prudência e discernimento quanto a candidatos que se apresentam como “salvadores da pátria”, mas pessoas que transmitem seriedade, serenidade, consenso, prudência e firmeza, e que não estejam comprometidos com a “cleptocracia” que envergonha o nosso país, mas em candidatos que tem o objetivo de servir o bem geral da nação.
É bom pensar!

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