Natal: Deus está conosco. "Emmanuel"

Economiaenegocios Artigos 22 Dezembro / 2014 Segunda-feira por Padre Ari

Talvez nesse silêncio tenhamos uma impressão estranha. Perguntamos: Donde nos chega a vida? O que há no fundo do nosso ser? Se formos capazes de “aguentar” um pouco mais de silêncio, provavelmente comecemos a sentir certo temor e, ao mesmo tempo, paz.

Nesse momento estamos diante do mistério último do nosso ser. Nós que temos fé, chamamos de: Deus.
“...esta experiência do coração é a única com a qual se pode compreender a mensagem de fé do Natal: Deus se fez homem.
Nunca mais estaremos sozinhos. Ninguém está só. Deus está conosco. Agora sabemos “algo” do Natal. Podemos celebrá-lo, desfrutar dele e felicitar as pessoas. Podemos alegrar-nos com os nossos e sermos mais generosos com os que sofrem e vivem tristes. Deus está conosco”.
(Kark Rahner).
A grande dificuldade na cultura hodierna é romper a cultura do ativismo, do barulho, do não fazer para ser.
A ideologia dominante é especialmente ciente que os mecanismos de ocupação são tão importantes e determinantes na condução da alienação para que o “humano” deixe de ser alguém para “não ser”, pois somente através disso é possível ter o domínio sobre a conduta do outro. Curiosamente tudo é pensado, aliás, com todo o requinte de detalhes possível para que não se possa viver a sós e ter a possibilidade de entrar no “eu”.
O menino que nasce em Belém, segundo o Plano do Pai para se dar a conhecer no hoje da história é o ´”...único que podemos chamar com toda a verdade de “Emmanuel” que significa: “Deus está conosco”.
Entretanto, os homens e mulheres de nosso tempo têm dificuldade de entender o significado de “Deus conosco”.
Como “saber” que Deus está conosco?
Eis o desafio nessa cultura que preenche todos os mínimos espaços para não se chegar ao deserto. Que deserto! O silêncio do nosso próprio “eu”, pois ao darmos essa oportunidade veremos um mundo diferente.

A SUPERFICIALIDADE DO NATAL E O ESVAZIAMENTO DA FESTA DO SENTIDO DA HUMANIDADE

É preciso ir ao deserto para reciclar o verdadeiro e autêntico sentido dessa solenidade na espiritualidade cristã. Os próprios cristãos no fogo cruzado da transmutação dos símbolos do Natal do Senhor, impulsionados pelos mecanismos do “marketing”, sentem-se distantes e indiferentes ante o Mistério da Encarnação.
“Há tempos idos havia perguntas graves que se ouvia, ou seja, “a morte de Deus”, hoje já se fala da “morte do ser humano”; há alguns anos se proclamava “o desaparecimento de Deus”; hoje se anuncia “o desaparecimento do ser humano”.
Será que a morte de Deus não arrasta consigo de maneira inevitável a morte do ser humano”? (PAGOLA, José Antonio – O Caminho aberto por Jesus – Vozes – 2013).
Em princípio fica claro que a cultura contemporânea expulsa Deus das vidas humanas, ao mesmo tempo cria um mundo a imagem e semelhança do próprio ser humano.
Eis o desastre!. É o bezerro de ouro da atualidade!

O NATAL SEMPRE É REVIVER COM ALEGRIA E GRATIDÃO O DOM DO AMOR INFINITO DO PAI PARA CONOSCO

“O Natal é muito mais do que todo esse ambiente superficial e manipulado que se respira nas semanas que antecedem a solenidade do nascimento de Cristo {...} é uma festa muito mais profunda e cheia de alegria do que os artifícios de nossa sociedade de consumo {...} nós cristãos temos de recuperar o coração da festa e descobrir, por trás de tanta superficialidade e atordoamento, o mistério que dá origem à nossa alegria”.
(PAGOLA, 2013).
E continua: “Não entendemos o Natal se não soubermos fazer o silêncio em nosso coração, abrir nossa alma ao mistério de um Deus que se aproxima de nós, acolher a vida que Ele nos oferece e saborear a festa da chegada de um Deus amigo”.
Por outro lado, em meio a tantas coisas belas que a sociedade no seu vertiginoso progresso nos proporciona, ao passar pelas ruas dos centros urbanos se percebe tantas pessoas com o rosto triste, acabrunhadas, insípidas parecendo sem destino.
O mundo de o simples ter não preenche o vazio de ninguém, é preciso ir ao deserto para encontrar o Senhor.
“Não pode haver tristeza quando nasce a vida”. (São Leão Magno).
O homem de fé se diferencia de todos os demais por ter motivos concretos de sua alegria: Deus está conosco!.
“Nós temos motivos para o júbilo radiante, para a alegria plena e para a festa solene: Deus se fez homem e veio habitar entre nós”.
(apud Leonardo Boff – in Pagola-2013).

A PRESENÇA DE MARIA NO MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO

O “sim” de Maria trouxe à humanidade a reconfiguração e um novo imaginário para vida dos cristãos inseridos nas diversas culturas no decorrer da história humana. Um simples “sim” estava plenificado de sentido e resposta para aquilo que mais os “humanos” sempre sonharam: o sentido e a luz que ilumina a caminhada de cada um.
A devoção à Maria faz com que todos nós não nos fechemos dentro de nosso ser-si-mesmo, mas nos induz a abertura mais singular e objetiva ao projeto de Deus.
Maria nos incentiva a vivermos nossa fé de forma adulta e responsável no seguimento fiel a Jesus Cristo.
Dentro desse contexto fica explícito para todos nós como ela foi e é modelo de acolhida fiel de Deus a partir de uma conduta obediente, de serviço ao seu Filho, sempre com uma preocupação solidária por todos os sofredores, excluídos, pobres, tristes, aflitos, abandonados e doentes.
Partindo desse pressuposto se percebe a figura de Maria como um elemento fundamental no processo da evangelização, pois foi a primeira a partir das bodas de Caná a se tornar uma discípula fiel Daquele que ela gerou. “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
O pedido é válido ainda hoje para nós cristãos contemporâneos.
A todos os leitores dessa coluna semanal desejo.
FELIZ NATAL!

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