Educação, Trabalho e Delinquência

Economiaenegocios Artigos 13 Agosto / 2018 Segunda-feira por Padre Ari

A realidade que se vive na história atual e início de século nos obriga a repensar muitos critérios que estão ainda na subjacência da crise, em especial, no processo educacional das novas gerações. Levando em consideração a velocidade das mudanças de paradigmas, as mesmas nem sempre ajudam na edificação dessa nova sociedade. É preciso parar e analisar em vista desses novos tempos em curso.
Percebe-se ao se ter conhecimento do conceito ocidental de Conjuntura Política socioeconômica, que há um descompasso profundo da origem ético política do que seja a autêntica democracia e o que se vive na atualidade. Há sem margem de dúvida, uma mudança no horizonte do paradigma axiológico em que foi edificada a civilização ocidental e a realidade vigente.
Partindo desse pressuposto, é urgente uma releitura crítica do imaginário em questão da atualidade que exige a recuperação dos padrões de socialização que nos coloca novamente nos trilhos de uma verdadeira cidadania com participação efetiva no Estado de Direito, e, de maneira especial, na defesa da vida humana e também no que tange à criação como um todo.

Portanto: “....o ideal sempre presente numa convivência social mais humanizada, justa e equitativa {que} reclama de {um} novo modelo de participação política e {descentralizadora} na qual a democratização do poder esteja já comprometida com normas de validez éticas e morais {...} este é o princípio do bem comum para o qual todos devemos nos educar”. (MARQUEZ-FERNANDEZ, Álvaro B. – A ética na pólis – Reflexões a partir da Democracia, o Diálogo, a Cidadania e os Direitos Humanos – Ed.Universidad del Atlántico/ Ed. Nova Harmonia – 2014).
Retomando aos patriarcas da cultura ocidental Aristóteles e Platão, aliás, ainda possuem atualidade para nosso tempo, esses, nos lembram de que “...o homem, por natureza, é um animal político. O homem da pólis se relaciona com os outros homens politicamente, não existe outra forma de convivência e comunicação {...} o homem grego não é apolítico, alguém que seja apático {...} o homem só é homem, e só se converte em cidadão enquanto responde a busca dos interesses da pólis, que são os interesses de todos os que são cidadãos”. (op.cit- in Marquez-Fernandez, 2014).

Retomando esse princípio básico de cidadania como da edificação de uma sociedade justa e equitativa, importa frisar de como os antigos gregos educavam os cidadãos para serem sábios sensatos e virtuosos, com um objetivo claro, ou seja, de formar cidadãos conscientes, idôneos com base nas virtudes cardeais. O cristianismo acrescentou posteriormente as virtudes teológicas, fé, esperança e caridade, elementos básicos na construção de uma sociedade madura, justa e equitativa. Emerge daí a pergunta: Como a educação se processa na atualidade quando se trata da formar o cidadão para uma cultura pós-moderna, aliás, marcada pela ideologia mecanicista, utilitária e pragmática?
A modernidade fez uma escolha unidimensional ante a educação das novas gerações, mormente no Brasil, onde os destaques das escolas de formação, salvo exceções, dão preferência ao ensino técnico como prioridade, e, nem sempre frisando como obrigatório na formação dos cidadãos a consciência ético moral de sua identidade e do seu “eu”. No processo da formação das novas gerações sempre é importante ter em conta o que irá fazer a diferença na construção do caráter e da personalidade das novas gerações. E isso não parece estar contemplado nas diretrizes fornecidas pelo MEC em se tratando das crianças e jovens brasileiros. Ora, educação, não se trata apenas em adquirir conhecimentos e conteúdos, mas, e, sobretudo, também a dimensão do estudo das humanidades como as virtudes que formam o homem como totalidade.
“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”. (Paulo Freire). E segue: “Toda a educação é Política”. Partindo desse pressuposto da importância da educação na formação do caráter e da personalidade humana, vive-se um tempo da história que começa a agonizar diante do sentido da vida a muitos, por prescindir de um dos elementos essenciais na condução dos parâmetros educacionais. De nada adianta uma sociedade tecnicamente avançada, se a motivação da mesma não está centrada numa antropologia que define o humano como alguém com dignidade e acima de qualquer objeto.


A EDUCAÇÃO, COMO UM TODO, SEMPRE DEVE CONDUZIR A SOCIEDADE A SER UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO.

Esse é o maior desafio da pós-modernidade que tem focado as linhas mestras da educação para uma dimensão unidimensional, ou seja, tecnológica. Isso não significa dar menos importância para a iniciação científica, mas, sim, ter também como prioridade a formação do homem. Tal postura tanto a nação é favorecida pelo desenvolvimento quanto para o equilíbrio dos cidadãos. Por outro lado, pessoas que tenham consciência cidadã possuem caráter e personalidade bem estruturadas, o que, sempre, fará a diferença não apenas no desenvolvimento da tecnologia de ponta, mas como cidadãos idôneos, honestos, transparentes e que orgulham a nação.
No entanto, nos esbarramos constantemente com notícias não tão promissoras em relação à maneira de educar e formar os cidadãos no Brasil. Nesse confuso e trágico quadro da política nacional, sempre vem à tona questões de grande relevância que nos fazem pensar. Como um governo tem a coragem de retirar subsídios da educação deixando, por exemplo, 99.000 mil alunos em nível de mestrados, doutorados, pós-doutorados e pesquisadores sem os devidos recursos para continuar a formar essas pessoas de alta qualificação para o desenvolvimento da nação? Faltam recursos? Então somos convidados a questionar onde se encontram tais recursos, arrecadados dos impostos e outras tarifas foram parar? Ironicamente há dinheiro para campanhas eleitorais, aliás, certamente tirado da educação, da saúde e outros setores de primeira necessidade. É simplesmente lamentável para não dizer revoltante. Nação alguma que deixa de investir pesado em educação, pesquisa, bolsas, saúde da população e etc. consegue dar passos significativos para um crescimento sustentável. Está mais que na hora de dar um basta a essa ciranda que vem se arrastando há muito tempo.

Sempre é bom frisar e lembrar que a educação política deve ser suprapartidária, pois o interesse é de toda a nação e, portanto, a educação deve ser uma baliza para a o exercício consciente da cidadania e da politização de um povo e não de favorecimento de alguns privilegiados.
Acompanhando os candidatos que estão se apresentando para a mudança de governo, é estarrecedor o perfil de significativa parte dos mesmos. Por um lado, voltam sempre os mesmos, com idênticos discursos que na prática não dizem “nada com nada”, por outro, candidatos que se apresentam como salvadores da pátria, aliás, esses elementos sempre devem ser evitados, pois o momento histórico não é de radicalismos, e, sim de candidatos que tenham perfil de agregar, respeitar o diferente, ter firmeza nas decisões, capacidade de diálogo, clareza nos objetivos que o país necessita para que os cidadãos possam erguer novamente a moral, a autoestima e uma esperança objetiva de que é possível um Brasil diferente e sério.
Enfim, o quadro dos candidatos que ai está, parece no geral, que buscam muito mais o poder de qualquer maneira, do que o bem da nação, ressalvando sempre as exceções. No entanto, fica sempre mais clara a ausência de verdadeiras lideranças que recebem poder e colocam ao serviço do bem comum. 2018 será um pleito “sui generis”, embora possa surpreender. Por incrível que possa parecer, as redes sociais poderão ajudar na consciência crítica e politização do povo em geral, estando “de olho” crítico para eleger os que não estejam comprometidos com desvios de dinheiro dos cofres públicos, corrupção passiva e ativa, os envolvidos na Lava-Jato, sonegadores, em desvios de fortunas para interesses escusos de qualquer natureza.
Daí, mais uma vez, torno a falar ao eleitor: não deixe de votar, pois essa lacuna poderá abrir oportunidade para eleger exatamente aqueles candidatos que não possuem a suficiente capacidade para gerir a Nação e os Estados. É preciso ficar atentos às promessas de campanha, aliás, algumas ridículas e absurdas, como ter em conta o perfil de sua ficha dos candidatos na justiça. Qualquer arranhão deve ser motivo de investigar tais candidatos. A questão que deve direcionar o voto consciente nesse momento da história é não estar apegado ao partido político que pertence e muito menos com coligações suspeitas, e, sim ao candidato e os que o rodeiam. O submundo da nossa política precisa vir à tona de forma ascendente e explícita para que o cidadão possa ajudar a fazer as devidas mudanças em vista de uma nação séria e próspera.
É bom pensar!

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