Os abutres

As estatísticas sobre o coronavírus no país, segundo a mídia, são assustadoras, já são 553 mortes e mais de 12.000 casos de pessoas contaminadas.

As medidas tomadas pelas autoridades federais, estaduais e municipais é pelo confinamento das pessoas. A quarentena.

Dia 06/04, a Coluna Claudio Humberto, do Diário do Poder informava que " as medidas contra o novo coronavírus são complexas e diversas, e o “distanciamento social”, a mais polêmica (cuja “livre tradução” brasileira foi de “isolamento”) e reforça a ideia de evitar contato físico, manter distância mínima entre pessoas etc. A Organização Mundial da Saúde (OMS) nunca recomendou que as pessoas evitassem trabalhar, apenas indicou medida ampla de ficar em casa. Mas só para quem tem condições de trabalhar onde reside, à distância, ou seja, o home office".

Mas, de onde veio que as pessoas deveriam ficar isoladas?

A China, origem do vírus (Covid - 19) colocou sob quarentena a cidade de Wuhan, isolando todos seus mais de 10 milhões de habitantes. Enquanto quase 1,5 bilhão de pessoas estavam livres para trabalhar e produzir. Países da Europa, como França, Espanha e Itália não tomaram nenhuma providência inicial em restringir a suas populações nem tampouco de divulgar orientações.

Na Itália a contaminação teve como epicentro o norte do país, principalmente a Lombardia. Pouco se falou que é uma região de maioria idosa e principalmente tabagistas inveterados. Esses fumantes tem seus pulmões negros como a asa da graúna, diria José de Alencar, presas fáceis para contaminação pelas vias respiratórias.

Não poderia ser outra a rapidez na contaminação em pleno inverno europeu, o resultado foi que a região foi colocada em toque de recolher.

Aqui no Brasil, a contaminação começou pelo contato entre os locais e os que retornaram de viagens ao exterior, seja na Europa ou de algum país asiático. As medidas tomadas foram certas e até sem precedentes, que se por um lado estão mantendo a contaminação sob controle, por outro lado o efeito na economia do país é brutal.

A queda das receitas dos Estados poderá chegar a R$ 44 bilhões em 2020. O Secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, estima que o déficit poderá atingir R$ 500 bilhões, em razão da ajuda que estão sendo concedidas a população, empresas. Estados e Municípios. Para se ter uma idéia desse rombo, o déficit de 2019 nas contas públicas em 2019 foi de R$ 61 bilhões e havia uma estimativa de diminuir ainda mais neste ano.

As previsões pelos especialistas na área são de milhares de mortes em razão da contaminação pelo Coronavírus. Enquanto todas as atenções estão sendo voltadas para esses informes, outras dados foram deixados de lado e nunca causaram pânico antes.

Segundo o Observatório Nacional de Segurança Viária, os acidentes nas ruas e estradas resultam em custos anuais de R$ 52 bilhões.

Somente em 2018, mais de 320 mil indenizações foram pagas pelo Seguro DPVAT em todo o país. Do total, conforme a Seguradora Líder, responsável pela administração do seguro DPVAT em todo o país, 70% foram para acidentes com vítimas com algum tipo de invalidez permanente.

De acordo com o Conselho Federal de Medicina, um balanço feito separadamente dos últimos 10 anos, de 2009 a 2018, aponta que os acidentes de trânsito deixaram mais de 1,6 milhão de feridos. Isso levou ao custo de quase R$ 3 bilhões no Sistema Único de Saúde (SUS).

O custo não é apenas este. Não se trata de apenas indenizações por morte ou por invalidez.

Há outro custo, sob ponto de vista econômico pois deixam de produzir. O Valor Estatístico de Vida (VEV), que corresponde à renda que seria gerada pelo trabalho das vítimas, caso não tivessem se acidentado, ao longo de suas vidas produtivas ultrapassa a casa dos R$ 100 bilhões de reais.

Existe outra pandemia no país que o coloca o Brasil em 5º lugar no ranking mundial da violência.

Um levantamento do Atlas da Violência de 2019, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que em 2017, o Brasil teve 65.602 pessoas assassinadas. Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional no país. O ministério da Justiça agiu e fez com que houvesse uma queda de 19% no ano que passou.

Para os dois casos acima nunca houve um mutirão nacional para colocar o país em diminuir esses milhares de mortos a cada ano. Pouco se melhorou em estradas e nem foram construídos presídios na velocidade com que se atua agora. Mesmo que por razões diversas, são mortes iguais. Não se ouviu bradarem pela libertação de aprisionados, nem mesmo quando houveram motins em vários Estados.

Foram notícias apenas no dia de sua divulgação, depois virou nota de rodapé. Mas, se não temos hoje hospitais vale lembrar, tivemos a "compensação" de se ver construídos 12 estádios para Copa de 2014, pela "bagatela" de R$ 8,3 bilhões.

Voltando a pandemia há um interesse muito grande em afirmar que o pico da contaminação ainda não aconteceu. Era para ser no final de março, depois transferido para meados de abril, agora já se fala em maio.

Por que esta prorrogação? Porque dará mais tempo para acessar o Tesouro Nacional.

A mídia nacional, fez questão de citar um dado fornecido pelo Imperial College London, da Inglaterra. Esse estudo diz que serão mais de 1 milhão de mortes se o Brasil não tomar as medidas adequadas. A entidade de nome dos tempos do falecido império britânico, usou uma modelagem de dados que espanca a estatística.

Em poucos dias o que era uma bomba atômica, virou um traque. Com repercussão foi vista como coisa absurda, a mídia fez como que nada havia sido noticiado. Já o primeiro ministro da Inglaterra, Boris Johnson está internado na UTI por contaminação pelo vírus.

As atenções agora se voltam para a disputa do presidente Jair Bolsonaro com o seu ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que por suas medidas tomadas tem sua popularidade em crescimento e o mesmo não acontece com o presidente. Há um dito que diz "Ciúme de homem é pior que ciúme de mulher".

A mídia se deleita, apostando no quanto pior melhor. Óbvio o melhor para eles. Lembram-se dos tempos do dinheiro fácil que jorrava para suas mãos nos 14 anos dos governos petistas.
Agem agora, como o repórter sem escrúpulos Charles Tatum, interpretado magistralmente por Kirk Douglas, no filme " A montanha dos sete abutres" (1951), dirigido por Billy Wilder.

Enquanto isso, as empresas, industria, comércio, prestadores de serviços, principalmente o menores, que são os maiores geradores de empregos, contabilizam diariamente seus prejuízos.

O que se vê na área política governadores já se colocam em se posicionando como candidatos a presidente nas eleições de 2022. Alguns coadjuvados por outros governadores e parlamentares de menor expressão.

Desta forma, o combate ao coronavírus no Brasil se transformou em uma campanha política e nada mais.

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