Curvas

As ações de tentar segurar a atual retração na economia pela política de juros estão se esgotando. O déficit nas contas públicas que vinha sendo reduzido não irá mais acontecer.

O setor público consolidado, formado por União, Estados, Municípios e Empresas Estatais, registrou em 2019 um déficit primário de R$ 61, 872 bilhões. Em 2018 foi de R$ 108, 258 bilhões. Com o aumento de gastos tanto na transferência de renda pelas três parcelas de R$ 600,00 como na pressão por repasses para os Estados e Municípios, faz com que a estimativa do déficit para este ano de 2020 esteja, por enquanto, em R$ 4l9, 2 bilhões, o equivalente a 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB).

Se o déficit público em abril estava estimado em R$ 419,2 bilhões, com a pressão por mais dinheiro, a quanto chegará ao final de 2020?

A última pesquisa feita para o BC pelo Boletim Focus aponta uma queda de 4,11% no PIB de 2020, ante a expectativa de crescimento de 2,3% projetada antes de a pandemia ter atingido o planeta. A estimativa era um PIB para este ano em torno de R$ 7,62 trilhões. Agora se estima que o encolhimento do PIB seja na faixa de R$ 313 bilhões. Significa que o Brasil apenas neste ano não conseguirá produzir este valor.

Para que não haja confusão, PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos pelo país em um ano.

Tanto o déficit público como o PIB apontam uma curva de queda rápida.

A taxa média de desemprego no país havia diminuído para 11,9% em 2019, representando 12,6 milhões de pessoas sem emprego formal, de acordo com a divulgação feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O percentual é inferior ao registrado em 2018, que foram 12,3%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – Contínua (Pnad-C).

Mas, os primeiros dados pesquisados neste ano com a pandemia indicam que mais cinco milhões estão desempregados e apontam para taxa de 16,1%.

A curva da taxa de desemprego está exponencialmente crescendo no país. Não seria impróprio dizer que poderá no mínimo dobrar este cálculo até o fim do ano.

Um absurdo?

Talvez não, se considerarmos a forma inconseqüente nesta luta fratricida entre os três poderes da União, Executivo, Judiciário e Legislativo. Poderes que segundo a Constituição Federal são independentes e harmônicos entre si. Mas, não é o que está acontecendo, principalmente pelo Judiciário e Legislativo sobre o Executivo que querem manietá-lo. Não há harmonia e muito menos independência.

Não estão se dando conta que isso é um desproposito, mas estão apoiados por governadores e prefeitos com objetivo de saquear o Tesouro Nacional. Não estão nem aí para o desemprego que será seguido pela fome.

Com a pandemia de coronavírus e seus efeitos econômicos, o Brasil caminha para voltar ao Mapa da Fome. É o que afirma o economista Daniel Balaban, chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), a maior agência humanitária da ONU. Já são 5,4 milhões de pessoas em estado de miséria.

Outro absurdo?

Que esses "impolutos, probos e acima de quaisquer suspeitas" encastelados nas altas posições digam isso quando as multidões saírem para as ruas. Vão ter que pedir socorro para quem tanto execraram.

Seguimos com as curvas.

Ao final do 1º trimestre de 2020 a Dívida Pública estava em R$ 4.214,8 bilhões (Leia-se 4 trilhões 214 bilhões e 800 milhões de reais). Poderá chegar até o final do ano em R$ 4.750 bilhões. A estimativa oficial é que seria de 62,3% do PIB de 2020. Os primeiros cálculos já apontam para até 85% do PIB. Percentual que faz fugir qualquer investidor do país.

Mesmo com a queda da Taxa Selic que diminui os encargos a serem pagos da dívida pública, esta continua apresentar uma curva de crescimento.

Mas, sempre há bons exemplos de quem simplesmente resolve ignorar todos esses que pensam que sabem e nada sabem, e tomam atitudes concretas.

Segundo informa a Coluna Diário do Poder, do jornalista Claudio Humberto, a Fiat Chrysler Automóveis (FCA) após 48 dias de parada vai retomar a produção nas suas três plantas industriais no país, em Goiana (PE), Betim (MG) e Campo Largo (PR). São 6.400 trabalhadores que voltam dentro de um cenário de medidas de padrão mundial em sanitização, reorganização de postos de trabalho e adaptação de espaços comuns. A preparação começa ainda na casa do colaborador, passa pela viagem nos ônibus que fazem o transporte para as fábricas e por todos os passos dos empregados dentro do ambiente fabril, até o retorno para casa ao fim do expediente.

Aqui no RS tem outros exemplos, as indústrias Randon, Tramontina e Marcopolo, na serra gaúcha voltaram a produzir.

Em ambiente maior, a cidade de Gramado (RS) que vive 90% do turismo viu de uma hora para outra tudo ser fechado. A Prefeitura, ao ver a curva descendente da economia da cidade pelo confinamento, seguiu outro caminho do estabelecido para demais municípios. Fixou regras firmes que permitem a reabertura gradativa dos empreendimentos. Sabe-se que não é de uma hora para outra que tudo volta à normalidade, afinal não se trata de uma decisão de uma única empresa, mas de dezenas e dezenas de empreendedores. Com a clara conscientização do como se deve proceder e cuidados rígidos, a cidade voltará gradativamente ao seu ritmo. Mesmo que o pouco que sobra do segundo trimestre sinta-se como perdido.

O segundo semestre na região tem tudo para reaver o que foi perdido, há eventos de atração nacional e internacional. As viagens aéreas e terrestres aos poucos vão se ampliar. A divulgação clara e ampla dos cuidados que estão sendo tomados pela cidade e pelos empreendedores, aliados a uma necessidade de voltar a viver das pessoas depois do Confinamento Social, o novo nome da Quarentena, vai trazer de volta a vontade de sair e viajar. A região saberá o que e como fazer. Sem ter praias e Carnaval, sabe como se faz Turismo.

São curvas ascendentes de confiança e de manutenção de empregos.

Tudo isso dentro de uma crise política que vem desde janeiro de 2019 e que se acentuou com a pandemia que chegou ao país.

Essa é uma curva crescente e maligna que só prejudica o Brasil e a todos os brasileiros.

Escrito em 13 de maio de 2020

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