O engessamento da Economia

Em quatro de fevereiro deste ano o Governo Federal declarou Estado de Emergência em saúde pública para prevenir a chegada do então assim chamado novo coronavírus chinês.

A Declaração foi publicada em edição extra do DOU (Diário Oficial da União) e definiu que o centro de operações de emergência seria estrutura federal responsável por articular políticas de prevenção à nova doença.

Na ocasião, o Ministério da Saúde ressaltou que a epidemia é um evento "complexo" e que demanda um esforço do SUS (Sistema Único de Saúde) para a identificação de eventuais afetados e para a implementação de políticas para reduzir os riscos de transmissão.

Apenas em 11 de março foi que o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que a propagação do coronavírus não era Epidemia mas sim uma Pandemia. Essa demora na divulgação sobre algo que já estava acontecendo desde o final de 2019 causa estranheza até os dias atuais.

Define- se como uma pandemia, em escala de gravidade, como o pior dos cenários. Ela acontece quando uma epidemia se estende a níveis mundiais, ou seja, se espalha por diversas regiões do planeta.

Lembrando que em 2009, a gripe A (ou gripe suína) passou de uma epidemia para uma pandemia quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) começou a registrar casos nos seis continentes do mundo.

Em 23 de fevereiro, uma sexta - feira começou as festas de Carnaval no país. Todos os prefeitos e governadores dos Estados, onde a folia é mais representativa e grande atração nacional e internacional, jamais pensaram em cancelar o evento. Hoje os Estados que tem o maior número de casos de contaminação e óbitos, são os que ignoraram a declaração federal. Podemos citar São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

Em 15 de abril, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a autonomia dos Estados e Municípios, retirando os poderes do governo federal no combate a pandemia.

Os governos estaduais e municipais e seus apoiadores viram, com esta manifestação da suprema corte do país, duas grande oportunidades.

A primeira seria o uso político para desgastar o atual governo, levando combalido e sem forças até as eleições majoritárias de 2022.

E, quem sabe até retirar o presidente eleito do poder por um impeachment.

A segunda, seguindo ao pé da letra as regras da OMS, optou por um confinamento geral, onde todas as empresas e serviços deveriam cerrar suas portas e manter a população em isolamento. O trabalho só seria permitido para atividades consideradas prioritárias.

Sabiam os dirigentes que haveria queda na arrecadação nos tributos estaduais e municipais. Esta perda seria compensada pelo dinheiro a ser recebido do governo federal por pressão política a ser feita.

A tal ponto que tivemos a esdrúxula reclamação do governador dizendo que o RS só receberia R$ 1,9 bilhão, enquanto necessitava de R$ 3,1 bilhões.

E mais, disse que haveria atraso nos salários do mês de abril, que só seriam quitados em junho.

Faz 50 meses que o funcionalismo do RS recebe com atraso, sendo 16 meses apenas no mandato do atual governador. Os futuros pagamentos já foi tornado público que dependem das liberações de recursos federais. Ou seja, querem colocar a responsabilidade e a culpa no governo federal por atrasos na folha de pagamento.

Não foi só o RS, mas em todo o Brasil, os governadores e prefeitos pretendiam colocar suas contas em dias com dinheiro federal. As incompetências das administrações seriam varridas para debaixo do tapete.

Como não bastasse, com a possibilidade de comprar e contratar sem licitação, pelos decretos de calamidades públicas, a corrupção se instalou.

A polícia Federal foi às ruas e com decisões judiciais fizeram buscas, apreensões e até prisões. Com a PF no "combate ao coronavírus" houve até reduções no número de óbitos por nova metodologia de calculo, como foi o caso da cidade do Rio de Janeiro.

A PF fez o achatamento da curva!

O Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), projeta que a taxa de desocupação fique com uma média de 17,8% em 2020.

Apenas em abril foram fechados 860.503 postos de trabalho. Trabalho com carteira assinada.

Pode-se estimar no mínimo em três vezes mais com os que trabalham na informalidade, dentro de pequenos estabelecimentos, que foram dispensados. São esses pequenos estabelecimentos, os maiores geradores de emprego e renda das camadas mais baixas, que fecharam suas portas e em sua maioria não reabrirão, por não terem condições para tal.

Segundo o Ministério da Economia a estimativa do Déficit Público em 2020 será de R$ 601,2 bilhões, 8,27% do PIB. Este número se refere ao déficit primário. Déficit Primário é a diferença entre a Receita e a Despesa, não se incluindo os gastos com o pagamento de juros da Dívida Pública Federal.

O rombo é muito maior.

Com a autonomia recebida pelo STF, os Estados e Municípios contaram com um dinheiro mágico que viria do governo federal e resolveria todos os problemas financeiros.

Agora ao se darem conta do que concretamente está acontecendo com a economia, local, estadual e nacional, que mostra a atual realidade do país, os dirigente públicos discretamente, com regras que apareceram de uma hora para outra, começaram afrouxar o isolamento total que haviam imposto.
Sem nenhum pudor ainda posam de salvadores da população, quando na verdade pela sua visão míope e ineficiência foram os carrascos das pessoas e das empresas.

Engessaram a economia e também as próprias pernas.

Escrito em 29 de maio de 2020



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